Especulações do Mercado da Bola. E a desforra de Muricy

Pronto, já começou: a janela de transferências está se abrindo e com toda a força, espalham-se as notícias- ou especulações- que, na maioria ficarão apenas nos sonhos. Algumas delas, porém, como costuma acontecer, se concretizarão. Por exemplo:
1- Felipão, mais perto do Palmeiras: é o que diz uma pessoa muito próxima do técnico, campeão no último grande título conquistado pelos palestrinos, a Libertadores de 1999. Agora flertando com a zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o Palmeiras vê em Felipão a sua grande esperança, depois de realizar a maior transação entre clubes brasileiros (Kleber, que custou 3 milhões de euros por 50 por cento de seus direitos, que em outros tempos chamava-se passe) e ainda traçar planos para repatriar Valdívia e contratar um goleador.
2- Os sonhos do Flamengo: nada modestos, especialmente depois da derrota deste sábado- e de virada- para o Goiás, por 2 a 1. O Fla simplesmente Anuncia o seu interesse por Riquelme, do Boca Juniors, e Ronaldinho Gaúcho, do Milan. Contando, agora, com o prestígio de Zico- seu novo diretor executivo- o Flamengo tem mais chances de contratar o argentino, que não anda satisfeito no Boca, embora adore Buenos Aires. Na vinda de Ronaldinho, não acredito.
3- O Santos e um novo goleiro: com Fábio Costa praticamente descartado e as irregulares atuações do goleiro Felipe, o Santos está atrás de um novo camisa 1. Falou-se em Dida, em Renan (ex- Inter), mas não ficaria nem um pouquinho surpreso se o eleito fosse Diego Cavalieri, ex- Palmeiras, atualmente na reserva de Reina no Liverpool. Seria uma excelente contratação.
4- Elias na Europa? É o que se comenta no Parque São Jorge, pois ele pertence muito mais a uma empresa, a Trafffic (80 por cento) do que ao Corinthians. Será uma perda considerável para Mano Menezes, mas que, precavido, já mandou contratar Paulinho (ex- Bragantino) e Jucilei. E ambos vêm dando conta do recado.
E vai por aí afora, o que persistirá até o fim de agosto, quando a janela de transferências estará fechada. Só que por aqui, nenhum técnico tem a sorte do português José Mourinho que já recebeu o aviso do presidente do Real Madrid, Florentino Perez, de que terá cerca de 220 milhões de reais (não fiz as contas do quanto dá em euros e nem precisa) para contratar novos jogadores. Meu Deus!
MURICY, DE NOVO EM FORMA
Depois de passar o que passou pelo Palmeiras, Muricy voltou a atuar como um verdadeiro técnico de ponta no Fluminense: neste sábado, o Flu arrasou o Avaí lá mesmo em Florianópolis, marcando 3 a 0 e exibindo um padrão de jogo elogiável. Pois contra um adversário que há 25 jogos não perdia em seu estádio, quase Muricy sai da Ressacada com goleada histórica, utilizando-se muito bem de Conca, do artilheiro Fred e de seus dois alas- Mariano pela direita, Carlinhos pela esquerda- obtendo sua quarta vitória consecutiva.
Pelo que vem exibindo, o Flu de Muricy é forte candidato ao título. No mínimo, mas no mínimo mesmo, a uma vaga na Libertadores.
Na Copa, a Bruxa faz a Festa.
E essa agora de o grande atacante da Costa do Marfim e um dos melhores do mundo, Drogba, se machucar tão seriamente? De cotovelo fraturado, num simples amistoso diante do Japão, duvido- mesmo se submetendo a cirurgia-, ele possa ter condições de disputar a Copa.
E o que isso significa para nós? Ora, a Costa do Marfim está no grupo do Brasil, Drogba- o terror do Chelsea- seria um perigo contra nós e, em especial, diante de Portugal com Cristiano Ronaldo e tudo o mais. Pela bolinha que os portugueses andam jogando, desde que tivesse Drogba no ataque seria a Costa do Marfim, em minha opinião, a seleção classificada ao lado do Brasil. Logo, o desenho do grupo muda, sim.
Mas não apenas de Drogba vivem as perdas da Copa: o inglês Ferdinand, bom zagueiro, também está fora da disputa, assim como o italiano Pirlo está mais para lá do que para cá. Isso, entre outros, pois a sorte nos livrou de ficar sem Kaká que confessa, agora, sentir-se mais aliviado por ter mais liberdade nos movimentos, antes prejudicados por uma temível pubalgia.
São estranhas essas contusões um pouco antes da Copa. O amigo está lembrado que Émerson, titular da Seleção de Felipão, no ano do penta, um dia antes da estréia foi brincar de goleiro, chocou o ombro na trave e foi cortado? E, muito tempo atrás, num amistoso diante do Corinthians, pouco antes de viajar para a Suécia, a Seleção Brasileira ganhou por 5 a 0, mas quase perdeu o seu maior herói: numa bola dividida com o lateral-esquerdo Ari Clemente, o menino se machucou e apenas viajou para a Copa por insistência do chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho.
O menino, 17 anos, era Pelé.
ROBERTO CARLOS, A BOA SURPRESA
Confesso que não esperava muito de Roberto Carlos em sua volta ao futebol brasileiro. Cheguei a pensar que, aos 37 anos e por influência do amigo Ronaldo, La Patada Atômica tivesse voltado mais para desfrutar dos prazeres da fama acumulada ao longo da carreira quase toda construída na Europa.
Doce engano. Eis que o vejo em ação, com entusiasmo de menino, ocupando- e bem- o lado esquerdo corintiano, completando 20 jogos seguidos e revelando-se feliz, sempre com um sorriso na boca.
Creio que ficamos desconfiados e descontentes, todos, com aquela cena de Roberto arrumando o meião enquanto o francês Henry fazia o gol que nos mandou de volta para casa. Pode ser isso?.
Mas o tempo, com sua varinha mágica, tem o dom de apagar da memória muitas das cenas do passado. E o que vale é o presente, o revigorado Roberto Carlos, correndo o tempo inteiro e, de vez em quando, arriscando suas bombas mortais. Está valendo!
INTOCÁVEIS
Era o nome de um seriado de tevê, depois o de um filme, mas vale eternamente como reflexão: sem dar uma de psicólogo, creio que todos nós temos virtudes e defeitos, ninguém é totalmente bom ou totalmente ruim. Intocável, só Deus. E como não temos nenhum no futebol, cabe ao crítico apontar suas virtudes e seus defeitos, por que não?
Como foi caso do que comentei sobre Marcos, um dos maiores goleiros do Palmeiras ao longo da História. Mas que, como capitão, na minha opinião, tem lá as suas falhas. E assim como dei a minha opinião, respeito a opinião daqueles que a repudiaram- e foi uma enxurrada!-, desde que com respeito e boa educação. Os que exageraram na dose, simplesmente ignoro.
NO PIQUE
E neste domingo, às 21h35, pela CNT, teremos o programa “No Pique”. Falaremos da rodada, é claro, e muito especialmente das notícias de bastidores e do Mercado da Bola-eis que este ressurge, inquieto. Ah, é claro, e da Copa do Mundo que se aproxima.
Quem segura esse Líder Corinthians? E um Certo Capitão Marcos...
Fase boa, boa mesmo, é assim: pênalti a favor do Corinthians, Roberto Carlos ajeita a bola e o goleiro do Inter, o grandalhão Lauro, já se prepara, esperando uma bomba. O chute, no entanto, sai fraco, Lauro vai para o canto escolhido por Roberto- o esquerdo-, chega a tocar na bola e mesmo assim ela entra mansa e suave. Corinthians, 1 a 0!
E lá se foi o time corintiano em busca da vitória, com calma e determinação, sem se impressionar com nomes como Sandro, Guiñazu, Walter, Kleber, etc. O Corinthians é mais líder do que nunca e, logo aos sete minutos do segundo tempo, Iarley- que substituiu Jorge Henrique na partida desta quinta-feira-, marcou o segundo gol corintiano. Corinthians, 2 a 0. Por onde andou o poderoso Inter?
Agora, com 16 pontos ganhos, seguido pelo surpreendente Ceará (14 pontos), o Corinthians dá fortes sinais de que pode salvar a saga de seu Centenário, transformando-se, pelo menos por enquanto, no principal favorito ao título de campeão brasileiro.
E driblando o que muitos esperavam, driblou a depressão que costuma incomodá-lo a cada Libertadores perdida, não sentindo, sequer, a ausência de sua principal estrela, Ronaldo.
Mérito de seu técnico, Mano Menezes.
AS BRAVATAS DO CAPITÃO MARCOS Acho até que Marcos merece um busto no Parque Antártica, ao lado de Waldemar Fiume, Ademir da Guia e Junqueira. Nada mais justo. Afinal, ele está entre os maiores goleiros do Palmeiras ao longo da História e teve a decência de não abandonar o clube nem nos tempos de agruras da Série B. Como capitão do time, no entanto, sua postura é discutível: jamais o vi contornar uma crise, vive dando declarações pessimistas depois dos jogos, já desobedeceu técnico para ir à área inimiga tentar a cabeçada que jamais consegue... Também já emocionou, ao falar para os companheiros, antes da final diante da Ponte Preta no Campeonato Paulista de 2008, que “se precisar quebrar o pescoço, hoje, para ser campeão, eu quebro e pronto”. O saldo, porém, não é positivo. Como capitão, eu digo. E esse negócio de dizer que “o time é fraco” em nada entusiasma os companheiros, assim como creio, não pega bem, ele, vira-e-mexe, falar em aposentadoria. Quem sabe Marcos não tenha razão? Bem que ele poderia, pelo menos, ir em busca da bola no chute, fraco, que Vagner Love desferiu quase da entrada da área para marcar o gol do Flamengo. Numa comparação, vejo Rogério Ceni, até um pouco mais velho do que Marcos, opinar e servir como espécie de cartola do São Paulo. As façanhas e os títulos conferem a Ceni este direito. E Rogério vai em todas as bolas, defensáveis ou não. Assim, acredito- e digo com certa tristeza-, embora não seja fácil acostumar-se a ver o Palmeiras sem Marcos-, que é hora de repensar. Quanto à carreira e, principalmente, ao posto de capitão do time. ITALIA, O TIME É ESTE? Atual campeã do mundo, as vésperas da Copa da África do Sul, a Itália não convenceu nem um pouquinho em seu amistoso diante do México: perdeu por 2 a 1, foi envolvida pelo adversário e, se este for o seu verdadeiro futebol, não estará entre as candidatas aos título. É claro que, começando a Copa, a história poderá ser outra e os italianos são verdadeiros mestres em crescer durante a competição. Aí eu me lembro da campeã da Itália, a Inter, que dirigida pelo português Mourinho, não tinha um único jogador italiano como titular da equipe. E pergunto: estarão os atuais campeões do mundo em decadência mesmo? Sei lá.
Palmeiras festeja Kleber. Mas perde o Duelo com Love...
Quando a fase é ruim, não há o que de jeito: enquanto festejava a vinda de Kleber, o Gladiador (o presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, disse que só falta acertar a forma de pagamento dos 3 milhões de euros), o Palmeiras perdia para o Flamengo, no Pacaembu, por 1 a 0. Por ironia, gol de Vagner Love. E por mais ironia ainda, no finzinho da partida, que era para machucar ainda mais a sofrida torcida palestrina.
O resultado foi justo? Nem tanto. O Palmeiras até que jogou bem no primeiro tempo, criando pelo menos três chances de gol, através de Cleiton Xavier, Ewerton e Márcio Araujo. No segundo tempo, porém, o Flamengo esteve melhor, contou com a colaboração do técnico adversário- o interino sessentão Jorge Parraga- que inexplicavelmente, tirou do time seus jogadores mais talentosos, Lincoln e Cleiton Xavier, ah, assim ficou mais fácil para o Fla ter mais posse de bola e mais iniciativa.
Na verdade, ao longo do jogo, Flamengo e Palmeiras, jogaram com apenas um atacante. Só que o do Palmeiras era Ewerthon e o do Flamengo, Vagner Love. Eis a diferença. Tanto que, aos 43 minutos do segundo tempo, mais ou menos por aí, mesmo tendo um exército de palmeirenses à sua frente, Love deu um jeitinho de carregar a bola para dentro da área e chutar no canto direito de Marcos. Flamengo, 1 a 0. Nocaute!
E agora aquela pergunta: só a vinda de Kleber, agora mais do que certa, servirá para resolver os problemas do Palmeiras? Não, só Kleber é pouco para um time que há três jogos não sabe o que é fazer um gol. Torna-se fundamental a contratação de um centroavante goleador, capaz de fazer dupla com o Gladiador, além de alguns outros ajustes, como mais um atacante para o banco de reservas e também a chegada de um novo lateral-esquerdo, caso Armero seja mesmo negociado.
E, é claro, um novo técnico. Dizem que será mesmo Felipão. Só que, neste caso, é bom esperar um pouco mais para ter certeza.
E O TRICOLOR, HEIN?
Estava entretido com Palmeiras e Flamengo mas, pelos melhores momentos e por ter aberto o placar (Marcelinho Paraíba, de falta) achei que o São Paulo fosse voltar com vitória de Goiânia, onde enfrentou o Goiás. Só que, dirigido pelo Émerson Leão, vindo com o moral de ter vencido o Atlético Goianiense- clássico local- o Goiás empatou (Bernardo, de pênalti) e, aos 44 minutos do segundo tempo, virou o jogo, em bela ação de seu capitão, Jonílson.
Se vai muito bem na Libertadores, o tricolor não repete a façanha no Campeonato Brasileiro, com campanha bem fraca até o momento. E o Goiás, que parecia candidato certo ao rebaixamento, depois de perder seus três primeiros jogos, agora desponta como dono de bela reação.
É o futebol...
SANTOS, BOM EMPATE
Só para constar: não é fácil sair do Mineirão sem derrota para o Cruzeiro. Mesmo com o atacante Marcel expulso, o Santos até que não fez feio, cumprindo sua parte. Só falta agora os Meninos da Vila voltarem ao estado normal de humildade e sem firulas, pois o sucesso dura enquanto os resultados aparecem e também não é o fim do mundo deixar de ser convocado para a Seleção.
Brasil, uma Goleada que não significa muito.
Não chegou a ser nenhuma façanha heróica: vencer a frágil Seleção de Zimbábue- a de número 110 no ranking do futebol-, ainda que por 3 a0, é o mínimo que espera de um Brasil sempre candidato a levantar o caneco da Copado Mundo.
Os gols até que foram belos- Michel Bastos, Robinho e Elano, os autores- e os sustos do inimigo, no começo, foram obra de quem estava disputando o jogo da vida. Nada mais sério. Susto mesmo foi a contusão de Júlio César, que saiu logo da partida e acusando contusão, vindo, depois, o alívio do diagnóstico do médico José Luís Runco, informando que a situação do goleiro não preocupa. Ainda bem: Júlio César, hoje
talvez seja o melhor goleiro do mundo em atividade, campeoníssimo pela Inter de Milão.
Quanto a Kaká, jogou meio tempo, revelando disposição, mas também visível ritmo de jogo. De qualquer maneira, pelo menos aparentemente, está inteiro quanto ao físico e o tal ritmo de jogo ele vai pegando aos poucos, pois faltam ainda o amistoso contra a Tanzânia e duas semanas de treinos antes da estréia diante da Coréia do Norte.
Enfim, prefiro encarar essa partida como um treino, sabendo, ainda, que Juan (que não jogou ou treinou) foi poupado apenas e que, em caso de necessidade, temos um reserva para toda obra: Daniel Alves, do Barcelona, hábil e polivalente jogador que, não sei não, é capaz de arrumar um lugarzinho para ele ainda nesta Copa.
Observação: Leia no post abaixo, o reencontro de Wagner Love como Palmeiras e o crescimento da Torcida do São Paulo.
Kaká, a boa notícia. E a noite de Love contra o Palmeiras.
Começo por Kaká, nosso camisa 10, que fez um gol no rachão e pronto- lá esta ele, escalado para enfrentar os guerreiros de Zimbábue, amistoso que a Seleção arrumou para ir enfrentando os perigos da Copa que se aproxima.
Na minha opinião, Kaká continua a ser o jogador mais importante da equipe, impecável na arte de levar a bola do meio do campo ao ataque, com dribles e arrancadas de quem já foi o melhor do mundo. Embora nos dê esperança e consistência, Kaká não deixa de preocupar: sua temporada no Real Madrid esteve longe de justificar o investimento milionário que o clube espanhol fez por ele. E o pior: grande parte da culpa do desempenho aquém do esperado foi em função da pubalgia, maldita lesão que não o deixa em paz e nem desenvolver seu melhor futebol.
Movido, porém, por incomum força de vontade, desde liberado para o amistoso, quem sabe Kaká não vença mais esse desafio? Se vencer, a Seleção estará mais forte para o hexa.
LOVE CONTRA O PALMEIRAS
E nesta quarta-feira, no velho e romântico Pacaembu, Palmeiras e Flamengo revivem um dos grandes clássicos do futebol brasileiro. Nenhum deles anda de bem com a vitória, embora tenham certos motivos para novas esperanças: enquanto o Palmeiras acena com patrocínio novo, Fiat, que lhe renderá mais dinheiro e futuros bons jogadores, o Flamengo tem na figura de Zico o seu suposto redentor. Além, é claro de sonhar com reforços.
O duelo, porém, que mais chama a atenção é o de Vagner Love contra o Palmeiras. Será o reencontro do chamado Artilheiro do Amor com o time do qual já foi ídolo, mas que, no ano passado, em seu retorno dos gelados campos da Rússia foi praticamente escorraçado por alguns “torcedores” que tentaram agredi-lo no estacionamento de uma agência bancária.
De lá para cá, o torcedores vivem reclamando: o Palmeiras nunca mais teve um centroavante como ele. Aliás, agora, nem centroavante tem.
TRICOLOR, A TORCIDA QUE MAIS CRESCE
Segundo a pesquisa publicada pelo diário Lance sobre as torcidas, quase nenhuma novidade no front. A não ser o crescimento da torcida tricolor que, movida a títulos e estabilidade, sobe de maneira incrível, perdendo apenas para flamenguistas e corintianos, deixando bem lá atrás os arquiinimigos palestrinos que lhe eram superiores em número de torcedores. Isso, até que os títulos começaram a ir bem mais para o Morumbi do que para este Parque Antártica às vésperas da demolição.
Em frente, tricolor!
Paciência de Jó.
Alguns torcedores do Palmeiras, depois da reunião extraordinária do Conselho do clube na noite desta segunda-feira, festejam o fato de a oposição não ter conseguido melar o imediato início das obras da Arena. Esperam-se, porém, medidas judiciais da parte contrária e não existe a certeza da vitória. Paciência.
Por outro lado, grande número de torcedores do Palmeiras dá como certa a volta de Kleber, o Gladiador. O presidente do Cruzeiro, no entanto, nega que a venda de seu atacante esteja consumada. Será apenas jogo de cena? Paciência...
Ora, quantas vezes é preciso paciência: no campo, nos bastidores políticos e nas transações. Desde que me conheço, jamais vi o Palmeiras passar por tanta provação e, tenho um palpite, a fila pelos títulos importantes teria dobrado um século de quarteirões se um palestrino, já falecido (Paulo Nicoli) não tivesse levado a Parmalat para dentro dos portões do antigo Palestra Itália.
É verdade, estou ciente: meus amigos palmeirenses têm de ter paciência, hoje em dia. Paciência de Jó.
A VOLTA DE ZICO
E o Flamengo tem Zico de novo. Não mais como o incomparável jogador, é claro, que o Galinho de Quintino, quase sessentão, só bate a sua bolinha em ocasiões especiais como na festa de amigos. E nem mesmo como técnico. Não importa: agora na função de diretor-executivo, nomeado pela presidente Patrícia Amorim, quem melhor poderia representar o Fla do que ele, Zico, um dos Monstros Sagrados do nosso futebol e um dos mais sérios profissionais que o mundo da bola já conheceu?
Zico e Flamengo, Fla e Zico. Sinônimos, quase, na luta do clube em sair da depressão dos últimos maus resultados. E também creio uma tentativa de melhorar a imagem do clube, um tanto quanto arranhada por certas atitudes do já quase desfeito Império do Amor, composto pelos amigos (ex- amigos?) Adriano e Vagner Love.
Boa sorte, Galinho!
E EIS A SELEÇÃO, ESCALADINHA.
A numeração não mente e por aquela que já foi fornecida pelo técnico Dunga à FIFA, trata-se de um Brasil sem mistérios o que vai enfrentar a Coréia do Norte, na estréia da Copa do Mundo: Júlio César, Maicon, Juan, Lúcio e Michel Bastos; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano e Kaká (tomara), Robinho e Luís Fabiano. Não chega a ser o time de nossos sonhos, pois não?
Mas é o nosso time e, com ele, até podemos ganhar essa Copa. Aliás, na opinião de Platini e Beckenbauer, inesquecíveis ídolos da magia do bem jogar. É bom lembrar que o Brasil sempre é favorito, até que bruxas malvadas como na última Copa, por exemplo-, provem o contrário.
A VOLTA POR CIMA?
É o que parece estar acontecendo com Muricy Ramalho, agora dirigindo o Fluminense, que saiu vencedor do duelo com Luxemburgo, treinador do Atlético Mineiro: como se sabe, o Flu venceu, de virada, por 3 a 1, em pleno Mineirão, Cauteloso, porém, talvez por ainda lembrar de passado recente, prefiro esperar um pouco mais para dar como certa a tal volta por cima.
Muitas vezes, os resultados são enganosos e ilusórios.
Foi a vez dos Meninos do Parque: Corinthians, 4 a 2!
E quem foi ao Pacaembu ver um novo show dos Meninos da Vila, viu a consagração dos outros meninos, os do Parque São Jorge: no clássico diante do Santos, qual corintiano não se surpreendeu ou não se entusiasmou com as atuações dos jovens Bruno César, Ralf e Paulinho- cada um deles fez um gol, cabendo a Jorge Henrique a autoria do outro-, garotada que ajudou o Corinthians a ser ainda mais líder do Campeonato Brasileiro.
Foi um belo jogo, quase 30 mil pagantes em época de frio e às vésperas de Copa do Mundo. Por falar em Copa, desde o começo o Corinthians parecia ter á disposição de uma final, arrancando seu primeiro gol logo a um minuto e meio, em arremate de Bruno César que o goleiro santista Felipe defendeu e Jorge Henrique empurrou para as redes.
Depois, bem, depois o Corinthians recuou. Mas o que há com Neymar, que já não mostra os mesmos dribles e nem os às vezes certeiros arremates? Fez-lhe mal a não convocação, tirou-lhe um pouco do entusiasmo a punição recebida há poucos dias ou a fama já subiu um pouquinho à cabeça?
E o que há com Ganso, que nos últimos tempos reclama de tudo: da concentração para solteiros, da punição que também recebeu, da não convocação... Sei que neste domingo, ele pouco produziu, anulado por outro menino do Parque São Jorge, o pouco badalado Ralf, que, além de cumprir seus deveres de marcador, ainda encontrou tempo e disposição para ir ao ataque e marcar um gol de craque.
Quanto aos gols, o amigo já sabe. Além da discutível anulação de um gol de Marquinhos (o mais perigoso jogador do Santos), ainda no primeiro tempo, houve o gol de empate de André, no comecinho do segundo, para, em seguida, com uma canhota mortal, o menino Bruno César colocar o Corinthians outra vez na frente do marcador: depois, o belo gol de Ralf, em seguida o de Paulinho (o quarto) para Marcel, de cabeça, encerrando a contagem marcar o segundo gol do Santos- evitando que a derrota fosse por autêntica goleada.
Deu a impressão, ainda, que o centroavante André não quis ser substituído por Dorival Júnior- a exemplo de Paulo Henrique Ganso na decisão do Paulista contra o Santo André- sobrando para Edu Dracena que, andando lentamente para fora de campo, também não parece ter aprovado nada a atitude do treinador.
Perguntar não ofende: estará o comando do bom Dorival sendo contestado?
Bem, essa é uma outra história, que fica para depois. Nesta história, o protagonista é o Corinthians e de seus surpreendentes meninos.
