Blog do Avallone

Guardiola, a sábia e digna renúncia de um vencedor.

                                                                     Foto: Adrian Dennis/AFP

Não deve ter sido fácil de uns tempos para cá ser Guardiola, ser Barcelona, ser campeão, ser o melhor time do mundo o tempo todo. Foram quatro anos, 13 títulos, a responsabilidade crescendo cada vez mais e mais, dura de suportar para quem tem no coração um amor verdadeiro pelo clube e a alma toda catalã.

Pode parecer incoerência. Mas não penso assim. Até o sucesso desgasta e os primeiros sinais de declínio-como nesta temporada-, com a obrigação de uma possível reformulação, com o corte de velhos companheiros de glórias, fazem sofrer. E para quê? Aos 41 anos, Pep Guardiola tem toda uma carreira de técnico pela frente e sai do Barça no auge, pronto para dirigir qualquer grande time ou qualquer grande seleção do mundo.

Não foi sábio ao renunciar?

E também foi digno. Talvez tenha sentido que a contundência desta temporada não fora a mesma das anteriores- quem sabe por faltar o necessário vigor físico a alguns de seus exímios tocadores de bola- ou que a defesa já andava à meia-força: o velho herói, Puyol, não me parecia mais o mesmo.

Guardiola teria de ser o carrasco como se dispôs, com naturalidade, em 2008, quando despachou Ronaldinho Gaúcho e Deco- e, um pouco mais tarde, Samuel Eto’o-, jogadores com quem ainda não tinha grandes laços de conquistas ou afetivos. Agora, seria diferente: acho que, mesmo sendo justo, sofreria ao ser implacável.

Não foi digno ao renunciar?

A partir de agora, começa a busca pelo tesouro. A corrida pelo melhor técnico do mundo, Pep Guardiola.

Corinthians, correndo em busca do que parecia fácil. E o São Paulo, com a ajuda da chuva.

O que parecia tão fácil, natural e lucrativo para o Corinthians, deixou de ser: corre, agora, em busca de novo patrocínio máster para sua camisa, pois o acordo milionário com a Hyundai, em função das novas regras de impostos, ao que tudo indica não sairá mesmo dos sonhos e do papel.

Tanto que, leio, nos jogos contra o Emelec, pela Libertadores, o Corinthians ainda estampará o nome da Hypermarcas mesmo com contrato encerrado no fim deste mês. Quer dizer: sem contrato. E o que valia para a montadora de automotivos, num primeiro momento, a fantástica quantia de 56 milhões de reais/ano.

mês, já teve a venda consentida para outra empresa por 45 e, em último caso, corre nos bastidores, que a operação possa até sair pelos 30 milhões.

Sinal dos tempos. E da falsa euforia econômica.

Isso não é definitivo, pois o Corinthians é um fenômeno de massa e, ao contrário de seu companheiro de campeão de fiéis, o Flamengo (que luta para traduzir em patrocínios o seu apelo popular), de repente encaixa uma tacada surpreendente.

Mas, por enquanto, corre em busca do que parecia certo. E que não é.

A CHUVA. PELO SÃO PAULO.

É evidente que o adiamento do jogo desta quinta-feira pela Copa do Brasil tanto ajudou a Ponte Preta- que enfrentará o Guarani, no tradicional Derby de Campinas- como o São Paulo. Mas especialmente o São Paulo deve erguer as mãos para os céus: enquanto o Santos vem de jogo e viagem desgastantes de La Paz, livrou-se o tricolor de enfrentar a Ponte num campo perigosamente molhado, com o desgaste físico e o perigo das contusões postados em cada cantinho ensopado do gramado.

Sei, não. Parece sorte de campeão.

Não há Neymar que drible a altitude. E mais: Henrique, Cavalieri, a final inesperada...

1-    A impressão que se tinha era a de que, no finzinho, do jogo, os jogadores do Santos pediam aos céus para que tudo terminasse. Mesmo com a derrota por 2 a 1 para o limitado Bolivar. E com razão: está enganado quem pensa que a altitude de 3. 660 metros de La Paz provoca somente males psicológicos nos visitantes.

 

Uma ova! Até em cidades com menos altitude, como, por exemplo, a Cidade do México, onde já estive, se não houver um período de adaptação é muito difícil jogar futebol.

 

Assim, não cabe analisar o Santos tecnicamente, pois além de faltar fôlego aos jogadores, a bola toma outro curso, rebelde ao extremo. Segundo esse ponto de vista, Neymar fez até demais, embora nem tenha feito tanto, e Arouca quase foi herói, ao reunir os últimos vestígios de fôlego e força para aquela louca arrancada que quase dá no gol do empate.

 

Pelas circunstâncias, perder só por 2 a 1, dois gols de falta, até que nem foi tão mau negócio para o Santos, pois dá para reverter fácil, fácil, no jogo da volta. É só Neymar esquecer a pedrada que levou no rosto, da caçada da qual foi vítima em campo e só pensar em revanche no campo tendo como única arma o talento. Que é o que ele tem de sobra.

 

2-    Henrique, mais um gol pelo Palmeiras: é o terceiro seguido que ele marca, desta vez de pênalti, na vitória contra o Paraná, em Curitiba, por 2 a 1, pela Copa do Brasil. Antes, este zagueiro que conta com a minha admiração, já havia marcado contra o Comercial e diante do Guarani. Não é pouco para um zagueiro.

 

Além disso, foi um dos melhores do time nessa vitória que deixa o Palmeiras bem encaminhado para se classificar para a próxima fase da Copa do Brasil, pois o Paraná tem equipe bem limitada e não dá nenhum indício que possa aprontar alguma surpresa daqui a duas semanas em Barueri.

 

De resto, bem, de resto, mais um gol de falta de Marcos Assunção, uma razoável estreia do veloz Mazinho, coisa e tal. Nada que tenha empolgado ou desestimulado de vez.

 

3-    Diego Cavalieri: na noite de quarta-feira, salvou o Fluminense de uma derrota, em Porto Alegre, ao defender, em seu cantinho esquerdo, o pênalti cobrado por Datolo, do Inter de Porto Alegre. Não foi por acaso: Diego sempre foi um competente goleiro, que nem sempre teve a devida sorte por ser reserva de goleiros tidos como ídolos, aliás, até parecidos fisicamente, como Marcos, no Palmeiras, e Reina, no Liverpool.

 

4-    Nem Barcelona e nem Real Madrid: a grande final da Champions League será disputada, ao contrário do que muitos esperavam, por Chelsea e Bayern de Munique. Nesta quarta- feira, mesmo perdendo jogo no tempo regulamentar (2 a 1), o Bayern suportou o empate na prorrogação e bateu o Real nos pênaltis, com cenas inusitadas, com o zagueiro Sérgio Ramos isolando a bola em uma das cobranças como estivesse cobrando um tiro- de- meta.

 

E Cristiano Ronaldo perdendo o dele também...

 

Faz parte do jogo.

O dom da resignação: de Felipão ao meu querido tio.

1-   Não sei se por esses dias passados no hospital para esses tais exames de rotina que jamais são mesmo de rotina, pois sempre se acha uma coisinha aqui e outra ali, que ao me deparar de novo com o mundo futebol as situações antes tão revoltantes me parecem tão menores... Pois é, voltei com paciência de Jó, resignação franciscana, em bora, ops, embora algo ainda não entenda  essa falha nem saiba como classificar.

Por exemplo: não entendo por que alguém como Felipão, técnico em outros tempos tão vitorioso, supostamente tão ajuizado que deve ter feito com sobras o seu pé-de-meia não pede, ele mesmo, a sua demissão. Pelo que sinto de conselheiros e torcedores do Palmeiras, creio que não existiria a menor resistência, pouparia o presidente do clube de ficar torcendo para que a Seleção o chame logo (e será que vai chamá-lo mesmo?) ou que outro aventureiro o faça.

Inútil: Felipão não vai largar o “osso”.  Juridicamente, é um direito que tem. A não ser que lhe paguem a multa. Mas pagar a multa agora quando o ano já está quase na metade?

Resignação.

2-   O Barcelona, como se fora uma luta de boxe, encurralou o Chelsea nas cordas, bateu de todos os jeitos, mas abriu a guarda, por pelo menos duas vezes e foi à lona. Simples: não teve o punch necessário, o punch da temporada passada e nem assimilou bem os golpes: Ramires e Fernando Torres- este, driblando até o goleiro, fizeram os gols do Chelsea, heroico de ponto de vista inglês, pois que com dez jogadores (o capitão Terry foi expulso) transformou uma derrota de 2 a 0 em empate de 2 a 2. O que o leva a final da Champions League.

O Barcelona continua com muito crédito. Mas continuo achando que Messi não pode jogar sempre como falso centroavante (errar pênalti é claro que acontece, nada tem a ver com sua função tática), às vezes é bom ter um companheiro de área à sua frente.

No mais, Resignação.

3-   E lá se foi o meu querido Tio Claudio, que nos campos de várzea, de terra batida, costumava se transformar no "artilheiro Kaká da Barra Funda”, pouco habilidoso, mas veloz e determinado em busca do prazer de estufar as redes. Generoso, viveu o que deu para viver: iria completar em junho 84 anos e jamais conseguiria vencer na corrida o mais implacável zagueiro que o acompanhou em seus últimos tempos- o mal de Alzheimer.

Creio que não valia mais a pena tanto esforço. Nem o dele e nem o deu sua irmã, a minha segunda mãe, Tia Dora.

Devo muito a estes dois.

Fazer o quê?

Resignação.

Contratempos... e a grande perda de tempo chamada Palmeiras.

Hoje, excepcionalmente, por Caio Avallone

A pedido do meu estimado pai, sempre pontual com seus posts, tenho a honra de escrever poucas linhas nesse espaço do qual sou assíduo leitor, já que, por um contratempo devido a exames médicos de rotina no final de semana, ele não pode escrever sobre a rodada.

E, por falar em contratempo, foi uma grande perda de tempo, principalmente para os palmeirenses, como eu. Mais uma vez fomos fregueses do bom Guarani, de Vadão, que honrou a cor verde da camisa e ressurgiu no campeonato, fazendo agora um duelo dos mais interessantes contra a arquirival Ponte Preta, clássico campineiro sobre o qual não ouso palpitar.

Não cabe a mim analisar taticamente o Palmeiras, mas, creio que além da falta de padrão tático, o maior problema que assombra a instituição Palmeiras é a enorme falta de autoestima, sem capacidade de reverter sequências de derrotas e empates com sabor de derrota (como contra o jogo contra o Comercial, em pleno Pacaembu). E claro, falta de comando generalizado, tanto da cúpula, como de Felipão, que há tempos perdeu a mão, e não é nem sombra do líder carismático da conquista da Libertadores e da Copa de 2002. Com toda gratidão que tenho pelos bons tempos, não dá mais...

Nos resta agora a Copa do Brasil, assim como, nos resta também - com toda a sinceridade, já que sou publicitário e não tenho a intenção de ser politicamente correto - torcer contra o Corinthians na Libertadores. Afinal, ultimamente, essa tem sido a única 'alegria' de um sofredor palmeirense. Triste essa alegria, a alegria de rir pra não chorar.

Obs: O Neymar é genial. Dá gosto de ver jogar. Assim como dará gosto de ver o Barça amanhã, do gênio Messi (na minha opinião). Será que ele sai da lâmpada, dá o troco no Chelsea e reverte os últimos tropeços do time, interrogação?? Torço para que sim e faça a grande final com o Real (se o mesmo passar pelo Bayern).