Blog do Avallone

Vem aí um modesto Mercado da Bola. E novos capítulos de crise ameaçando Palmeiras e São Paulo.

Talvez muita gente nem se se lembre. Mas falta pouco tempo para começar o Campeonato Brasileiro. E, ao contrário de outros tempos, quando o Mercado da Bola já se mostrava agitado e com promessas de contratações mirabolantes, agora o sinto tímido, sem grandes sonhos de consumo, com uma ou outra exceção: talvez o Corinthians, mais tarde, de acordo com sua participação na Libertadores ou em sua empreitada em busca de um patrocínio máster para a camisa- ainda não fechado-, pois já se sabe que anda pensando em Pato, no jovem Bruno Mendes (do Guarani), etc; talvez o Flamengo, debochando de sua enorme dívida, por pressão da torcida e das derrotas, ele que ainda não conseguiu pagar o que deve a Ronaldinho Gaúcho...

Ou, quem sabe, o Grêmio, ao repatriar o veterano Zé Roberto. Mas será uma boa?

O fato é que não estão à vista grandes revelações para serem contratadas e boa parte do dinheiro- que não é farto- parece ter sido gasta já no começo do ano, além do que existe a tal janela que jogador vindo do exterior (o que, por si só já tem-se mostrado um risco), teoricamente só poderá jogar em agosto.

Assim, não espero um Campeonato Brasileiro repleto de grandes novidades e atrações. Não será a vez dos garotos das bases?

PALMEIRAS E SÃO PAULO, NOVOS SINAIS DE CRISE.

No Palmeiras, a notícia foi surpreendente: alegando problemas de tempo, o vice- presidente Walter Munhoz e o diretor Jorge Vacarini pediram demissão do setor financeiro, poucos dias após as contas de março terem sido reprovadas pelo COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) do Palmeiras, deixando em situação pouco confortável o presidente Arnaldo Tirone.

Bem, o que isso significa? Segundo um conselheiro, as contas foram reprovadas, mais uma vez, pois foram uma espécie de recorde negativo (déficit) na recente história do clube: segundo outro, em linguagem ainda mais simples e direta, os dois diretores perceberam que “a vaca está indo para o brejo”. Quer dizer: não há mais como conter os gastos, pois as receitas são insuficientes para cobrir as despesas do futebol, em especial, com os fracassos dentro de campo, nas bilheterias, na exposição da imagem, sem venda de jogadores, sem ações de marketing, etc.

Bem, isso é o que foi passado.

E, então, como pensar em “camarões” para o time de futebol? Pelo quadro que me foi apresentado, o mais realista é pensar nas promessas da base, no aproveitamento do que se tem, em negócios de oportunidade. Na sobrevivência, enfim.

No São Paulo, o tipo de crise é outra. Não é que o presidente Juvenal Juvêncio vem a público para dizer que Leão sabia de tudo (do afastamento do zagueiro Paulo Miranda) e que até concordou? E se concordou, então por que o jeitão desapontado depois do jogo com a Ponte? Sei lá como é que fica o técnico com o grupo depois dessa história ou sei lá se essa história tem mesmo a importância toda que se deu a ela.

Nada que já não se soubesse: quem manda no São Paulo é o São Paulo mesmo. Alguém tinha alguma dúvida disso? Se está certo ou errado, é uma outra história. Só para interligar os fatos: e quem é que manda no Palmeiras? Ah, tá...

Um gigante no gol do Corinthians. E, em breve, o garoto Bruno Mendes com a camisa 9? E crise à vista no São Paulo?

Nem sei ainda, se é um grande goleiro. Mas, sem dúvida, o que é visível, é que se trata de um goleiro muito grande: com seus quase dois metros de altura (mais precisamente 1 metro e 95), o novo goleiro titular do Corinthians, Cássio, foi o maior responsável por garantir o empate de 0 a 0 diante do Emelec, em Guayaquil, mesmo a equipe jogando com dez jogadores-desde a expulsão de Jorge Henrique- e sem ter de executar defesas maravilhosas.

Bastou a Cássio ir muito bem nas bolas altas e sair com perfeição do gol, neutralizando o ponto forte do Emelec, aproveitando-se da estatura privilegiada. O que não aconteceria se, em seu lugar, estivesse o antigo titular, Júlio César, que vivia oscilando entre as condições de herói e vilão. Na última vez, no papel de vilão, diante da Ponte Preta, pelo Campeonato Paulista, foi barrado.

E Cássio ganhou os holofotes.

No mais, o Corinthians comportou-se até que bem na defesa e mal no ataque, em jogo por momentos até sonolento, sem grandes emoções ou grandes chances de gol. A melhor oportunidade do Emelec foi aquela cobrança de falta do espigado Valença que bateu no travessão- no resto, muita fumaça, pouco fogo.

Basta o Corinthians vencer agora, no Pacaembu, e pronto. Estará classificado para na próxima fase, creio, em exercício de futurologia lógica, enfrentar Santos ou Velez. Aí não terá moleza.

BRUNO MENDES?

Não tenho nenhuma confirmação oficial. Mas uma conversinha aqui, outra ali e uma dedução: tentativas por Pato à parte, o jovem centroavante do Guarani também deverá estar nos planos do Corinthians para o Campeonato Brasileiro, pois tudo indica que dificilmente haverá acordo com Liedson.

Bruno Mendes tem 17 anos, é precipitadamente chamado de o “novo Careca” (não tem estilo parecido) e a multa rescisória alta (40 milhões de reais para clubes brasileiros), mas potencial de goleador: 1 metro e 84, bom cabeceador, sabe proteger bem a bola e, nas mãos de treinador paciente, é bem capaz de ir longe.

Mas é aposta. E aposta para quem tem dinheiro. E que está precisando de centroavante. Logo...

DIEGO SOUZA

Belíssimo o gol de Diego Souza, o segundo do Vasco, na vitória do Vasco (2 a 1) sobre o Lanús, pela Libertadores; deu um chapeuzinho em um “hermano”, depois outro em mais um argentino, disparando, em seguida, chute perfeito. Por que Diego é tão irregular, ora craque, ora sequer notado em campo?

SÃO PAULO, CRISE À VISTA?

Antes do jogo, a diretoria, de forma unilateral, afasta o jogador Paulo Miranda (que não considero mesmo bom) para protesto de alguns companheiros e aparente surpresa do técnico Leão; depois da derrota para a Ponte Preta (1 a 0, pela Copa do Brasil), Luís Fabiano fala que o time precisa “ter vergonha na cara”. Entendi mal ou estamos diante de um ataque de nervos?

Se nada mudar, os três novos reforços estarão hoje no Palmeiras...

E com outra camisa, a do Mogi Mirim, durante o jogo- treino agendado para esta quarta-feira, sem a presença da imprensa. Repito: se nada mudar. Ou se nada mudou. Explicando melhor: um deles é Felipe, meia habilidoso, que já pertence ao Palmeiras e cujo empréstimo ao Mogi está terminando; os outros são o centroavante Hernane, agora vice-artilheiro do Campeonato Paulista, com 15 gols (o artilheiro é Neymar, 16 gols), e o volante Baraka, apesar da concorrência da Ponte Preta.

Pelo menos é o que estava sendo acertado antes do início das semifinais do Campeonato Paulista e do Campeonato do Interior- este, sendo decidido, agora, em duas partidas entre o Mogi Mirim e o Bragantino, sendo que só depois delas os jogadores do Mogi seriam liberados. Felipe viria, naturalmente. Herrnane e Baraka seriam contratados para os lugares de Fernandão e Chico, já liberados para Atlético Paranaense e Coritiba, respectivamente.

Assim, se explica, em parte, o desmanche.

Qualquer outro nome mais famoso como reforço para o Palmeiras será surpresa e ficará para outra vez.

E a história de Pato no Corinthians... (em resposta a um internauta). Santos e seus segredos em revelar jogadores.

Aproveito o feriadão para ler com mais calma os comentários do blog e, em um deles, o do Macedo, encontro algumas perguntas, entre elas se é verdadeiro ou não o interesse do Corinthians por Kaká, do Real Madrid, e Pato, do Milan. Sobre Kaká não ouvi mais nada, só no ano passado, mas por Pato, conta-me uma fonte, que o interesse realmente existe e que já estaria nas mãos do empresário Gilmar Veloz.

Tem lógica: Adriano foi embora, Elton não aprovou e Liedson já é veterano. Mas também tem lá as suas dificuldades: o Milan não pretende negociá-lo e o jogador vive machucado, apesar da juventude. O jeito encontrado foi tentar seu empréstimo por um ano, mas nada que se possa dizer que esteja perto de ser concretizado.

O fato é que o Corinthians está pensando em um centroavante de renome. A tal cereja do bolo. Difícil de ser encontrada.

O  SANTOS  E  SEUS  SEGREDOS  EM  REVELAR

Já é tradição, vem antes de Pelé. Quais serão os mistérios que envolvem o Santos na arte de revelar seus meninos atacantes, dribladores e artilheiros, de geração em geração? Pode ser pela magia das praias, onde eles vão para se divertir e acabam sendo descobertos, enquanto nas austeras cidades grandes os campos de várzea deram lugar à explosão imobiliária, pode ser. Mas pode ser também pela coragem de lançar esses garotos, seja lá qual for a idade: Pelé tinha 15 anos quando chegou de Bauru, aos 16 já estava na Seleção Brasileira: Coutinho tinha 15 anos quando estreou pelo Santos, Edu apenas 16 quando esteve na Copa do Mundo da Inglaterra...

Ah, coisa antiga? E Robinho, como era fininho quando pedalou e pedalou diante do indefeso Rogério, assim como este genial Neymar era chamado de “filé de borboleta” quando começou a infernizar as defesas inimigas coma camisa do Santos. O Santos não esperou que eles se formassem gladiadores nem tinha vergonha de seu físico infantil.

E os outros ficam aí, a bater palmas e a se perguntarem por que. Não seria melhor montarem uma rede de olheiros? Sairia mais barato do que investir em jogadores truculentos e medianos, pois que talento, pelo que me consta, não se constrói nas máquinas aparelhos de musculação.

O Trio de Ferro da Capital no sofá: Santos e Guarani, os finalistas.

                                                                  Foto:Thiago Bernardes/ Frame

No Brasil, craque, mas craque mesmo, é Neymar.  Depois, bem depois, vem os outros. E como Neymar dá show, com imenso prazer, pelo Santos, tendo como ilustre coadjuvante o redivivo Paulo Henrique Ganso, caberá aos santistas o direito de lutarem pelo tricampeonato paulista diante do surpreendente Guarani, dirigido por Vadão, o técnico que há duas décadas lançou o “Carrossel Caipira” no Mogi Mirim.

Para lutar por essa façanha- que não consegue desde os tempos de Pelé em 1967/68/69-, o Santos contou com um endiabrado Neymar, autor de seus três gols, para destruir os sonhos do São Paulo, na vitória de 3 a 1, em pleno Morumbi, em belo jogo, no qual o tricolor até que jogou bem e foi superior até, muitos momentos, à equipe santista. Mas como resistir a Neymar?

Pois, neste domingo, era impossível. Sejamos justos, teve lá a ajuda de alguns companheiros. No primeiro gol, que marcou de pênalti, foi bela a arrancada de Arouca, que serviu bem a Alan Kardec, derrubado pelo péssimo Paulo Miranda: no segundo gol, antes de entortar o mesmo Paulo Miranda, recebeu belo passe de Ganso. Mas no terceiro gol, quando o São Paulo mais ameaçava depois ter marcado o seu gol com Willian José (que recebeu a bola em posição de impedimento), Neymar enganou a todos, girando o corpo e chutando direto, sem carregar a bola, contando com a falha do goleiro tricolor.

No lance seguinte, impressionante, Neymar vibrou, pois como se fosse um autêntico lateral-esquerdo, mandou a bola para a lateral: ergueu as duas mãos para o alto, esmurrando o ar. Coisa de quem gosta de ganhar.

Só por ter Neymar, o Santos já entra na decisão contra o Guarani como grande favorito. Só tem aquela história que, no futebol, nada se ganha antes do tempo.

O  GUARANI  FOI  BEM  MELHOR

fabio bahia guarani gol ponte preta (Foto: Gustavo Tilio / Globoesporte.com)

                                                                                Foto: Gustavo Tilio 

Pelos mesmos 3 a 1, só que de virada, o Guarani venceu o centenário Derby com a Ponte Preta e é o outro finalista do Campeonato Paulista. Justíssima vitória. Seu melhor jogador, Fabinho, camisa 11, contava, ao final do jogo, que “fiquei sem receber durante sete meses no ano passado”.

Situação dramática. Sei lá, pois, como se deu o tal milagre da ressurreição bugrina, pois se há pouco tempo falava-se na venda do estádio Brinco de Ouro- local da vitória deste domingo- e se a torcida era convocada para generosa “vaquinha” para ajudar a pagar o salário dos jogadores. Sei que a transformação, pelo menos no campo, aconteceu: e eis o Bugre, velho de guerra, a lembrar os tempos gloriosos que já viveu. Como, por exemplo, quando foi campeão brasileiro, em 1978...

Dentro de campo, boa parte do sucesso talvez se deva a Osvaldo Alvarez- o Vadão- que armou esquema tático consistente, soube explorar a velocidade do pequenino Fabinho, teve a estrela de contar com Medina (autor de dois gols), com a firmeza do quarto-zagueiro Neto e com a estrela que tinha quando dirigia o Mogi Mirim dos tempos do “Carrossel Caipira”- com Rivaldo, Leto e Valber. Estrela que, sei lá a razão, não o acompanhou com tanto brilho em outras aventuras.

Quem sabe agora, Vadão...

O  TRIO  DE  FERRO  NO  SOFÁ

Enquanto isso, o antigo Trio de Ferro da Capital- Corinthians, São Paulo e Palmeiras- verá a decisão do Paulistão no sofá. Menos mal para o Corinthians que tem a Libertadores, seu objetivo maior. Pior para São Paulo e Palmeiras que se debruçam, agora, sobre uma Copa do Brasil mais complicada e menos rentável, sendo especialmente mais desagradável para os palmeirenses que vêem a cada jogo seus torcedores mais perplexos com a qualidade de seu futebol. Que já foi acadêmico e ofensivo.