Blog do Avallone

A força do futebol no Ibope da tevê.

Para quem já estava duvidando da força do futebol na tevê. Acreditando que o gosto do público caminha irreversivelmente para a linha de shows e entretenimento, o Ibope da última quarta- feira registrou posição contrária do público: durante duas horas, 66 por cento dos televisores ligados estavam no velho e apaixonante futebol, reiterando que, se os jogos forem importantes, ainda não há quem resista à sua força.

É claro que a fatia maior ficou para Santos e Corinthians, primeira das duas partidas que decidirão uma vaga para a final da Libertadores, hoje em dia, sem dúvida, o grande sonho de consumo de todos os clubes. Essa partida, que contou com o golaço de “Sheik” que deu a vitória ao Corinthians sobre Neymar e sua turma, mesmo na Vila Belmiro, rendeu nada menos do que 58.5 dos aparelhos ligados. A média da Globo ficou nos 39 pontos, a maior desde 2010.

Embora muito mais modestamente, o jogo entre Grêmio e Palmeiras- pela muito menos badalada Copa do Brasil- também contribuiu, com 7.5 dos aparelhos ligados. Razoável.

E nesta semana, os números devem subir ainda mais, pois que enquanto Corinthians e Santos vão se enfrentar na quarta-feira- agora já em caráter de definição de vaga-, Palmeiras e Grêmio farão o mesmo, mas só na quinta-feira, em partida, portanto de qualquer concorrência maior.

Ah, se nosso futebol fosse voltado para o gol, com esquemas táticos ofensivos... Não teria para ninguém, mesmo, na telinha.

Lucas, o talento que decide. E teremos São Paulo e Palmeiras na decisão?

 Não eram muitos os indícios de que o São Paulo conseguiria bater o Coritiba, diante de mais de 40 mil torcedores, no Morumbi. Jogando com dez jogadores, desde a expulsão de Paulo Miranda, o tricolor dava a impressão de que não conseguiria mudar o zero a zero, pois o Coritiba era um time bem organizado e as chances de gol eram poucas: teve a bola no travessão chutada por Everton Costa: depois, o chute de Luís Fabiano, cara a cara com Vanderlei- após boa troca de passes com Lucas, desviada com o pé pelo goleiro do Coritiba- houve também a cabeçada de Luís Fabiano, próxima ao gol, que bateu no chão e, depois, no travessão.

Não muito mais do que isso. E faltava pouco mais de um minuto para acabar o jogo. E foi aí que entrou o talento do craque, do jogador que desequilibra, que decide: Lucas apanhou a bola mais pela esquerda e, em jogada inesperada, foi fintando os zagueiros para o lado, formando fila, até achar um vazio à sua frente. Da entrada da área mesmo, chutou em diagonal, com força, no canto esquerdo de Vanderlei.

Golaço!

E graças a Lucas o São Paulo vai disputar o jogo de volta, em Curitiba, em considerável vantagem.

SÃO PAULO  E  PALMEIRAS   NA  DECISÃO  DA  COPA  DO  BRASIL?

Não gosto de antecipar situações de jogo, pois o futebol é o mais traiçoeiro dos esportes coletivos e as zebras muitas vezes surge, contrariando a lógica. Mas, pelo andar da carruagem, a decisão da Copa do Brasil se encaminha para ser disputada mesmo, em dois  jogos, por São Paulo e Palmeiras.

Quanto ao tricolor, sei que foi magra a sua vitória desta quinta-feira contra o Coritiba. O quadro pode ser revertido. Mas, em minha opinião, é quase impossível: o São Paulo depende de um empate e pode até perder se o placar for favorável ao Coritiba por 2 a 1, 3 a 2, etc. Não me parece que o Coxa tenha contundência para vencer o tricolor por dois ou mais gols de diferença.

O que  não está fora do alcance do Coritiba é vencer, digamos, por 1 a 0. E levara decisão para os pênaltis. Não levar um gol sequer é missão difícil diante de um time que joga para a frente (méritos do técnico Leão) e conta com Lucas e Luís Fabiano à frente. Falo de tendências.

Quanto ao Palmeiras, a sua vitória diante do Grêmio, em Porto Alegre, lhe assegura uma vantagem confortável. Até porque o estilo defensivo de Felipão- ainda mais agora, com três zagueiros- é a marca da equipe, que ainda conta, na frente, com as jogadas individuais de Hernán Barcos, competente centroavante.

Enfim, tratamos aqui de mero exercício de futurologia. Mas, convenhamos, de acordo com o que foi visto e apresentado pelas equipes.

Corinthians, o golaço de Émerson que faz o sonho aumentar. E o nó tático de Felipão em Luxemburgo.

Fernando Donasci/UOL

                                                                  Foto: Fernando Donasci/UOL

Foi um gol sensacional. Começou com a arrancada de Paulinho, mais pela direita, até encontrar, já dentro da grande área, pela esquerda, o sempre perigoso Émerson “Sheik”. Émerson deu o seu tradicional corte para o meio e emendou de direita, com a parte interna do pé, acertando chute indefensável, no ângulo, no canto direito de Rafael.

Golaço!

Eram decorridos apenas 27 minutos de jogo, mas aquele gol já dava a impressão de que o Corinthians sairia vencedor da Vila Belmiro. E foi o que aconteceu: 1 a 0, justo, apesar do domínio santista no segundo tempo que obrigou o grandalhão goleiro Cássio a belas defesas.

Belas defesas, sim, mas em lances esporádicos- como a cabeçada de Borges ou o chute de Juan- pois o Santos foi neutralizado pela sólida defesa do Corinthians durante a maior parte do tempo. Poucas foram as jogadas trabalhadas.

E “Sheik” brilhou (apesar de sua expulsão, aos 31 minutos do segundo tempo), as estrelas do Santos negaram fogo: Paulo Henrique Ganso, por motivos óbvios, pois seria incomum um jogador voltar a exibir o que sabe e menos de 20 dias de ter operado o joelho; Neymar, por motivos desconhecidos, pois há sete partidas esqueceu sua genialidade, desde as partidas contra o Vélez Sarsfield, passando pelas partidas na Seleção e essa contra o Corinthians, na noite de quarta-feira.

Não será excesso de badalação e de compromissos sociais e profissionais fora do futebol?
 Sei lá. Sei apenas que o Corinthians, ao vencer fora de casa, abriu boa vantagem para decidir, no Pacaembu, uma vaga para a final da Libertadores.

Pela primeira vez em sua história.

A  ASTÚCIA  DE  FELIPÃO  E  O  PALMEIRAS PERTO  DA  FINAL

Barcos tenta dominar a bola durante o jogo contra o Grêmio pela Copa do Brasil

                                                                    Foto: Edu Andrade/Freelancer

Cada jogo tem sua história, conta um bordão do futebol. E se, com justiça, Felipão foi tantas vezes criticado neste espaço em especial quando sua equipe precisava atacar, nada mais justo do que reconhecer seus méritos na grande vitória do Palmeiras sobre o Grêmio, em Porto Alegre, por 2 a 0 (gols de Mazinho e Barcos).

Na verdade, com inesperada escalação, Felipão surpreendeu Luxemburgo, armando um ferrolho e aplicando-lhe um nó tático. Com Henrique de volante- ou, várias vezes, como terceiro zagueiro, como Edmilson na Copa de 2002- tendo ainda Artur, misto de lateral e zagueiro, o Grêmio de Luxemburgo simplesmente não conseguia ameaçar o gol de Bruno.

Luxemburgo tentou de tudo, trocou a dupla de área- Kleber e Miralles- por Marcelo Moreno e André Lima, mas não tinha jeito. Com três zagueiros e mais a marcação do meio-campo, o Palmeiras estava invulnerável.

Faltava só o gol, o golpe de misericórdia. E, quase no fim do jogo, surgiram logo dois gols. O primeiro de Mazinho, em arremate de pé direito, depois de ótima assistência de Cicinho (que entrara no lugar de Artur) o segundo, marcado por Barcos, de cabeça, depois de belo cruzamento de Juninho.

E agora, o Palmeiras está muito perto da final da Copa do Brasil. E não se deve relegar a segundo plano a astúcia de Felipão, o técnico que reviveu seus bons momentos de outros tempos.

Com os nervos à flor da pele: jogos decisivos, Valdivia...

1- Não será nada fácil esta noite de quarta-feira para o torcedor. Jogos decisivos sempre mexem com os nervos, atiçam as emoções, fazem roer as unhas. Ah, como será este Santos  e  Corinthians  na  Vila Belmiro, já começando a valer por uma das vagas na final da Libertadores da América?

Sei lá. O fato é que o Corinthians não foi nem um pouquinho bem recebido ao chegar a Vila para seu treino de reconhecimento (como se não o conhecesse) do romântico estádio e que estará entupido por apaixonados torcedores: ovadas no ônibus corintiano, rojões estourando durante a movimentação corintiana, alguns deles fazendo barulho assustador nas arquibancadas.

Dentro de campo, que é o que mais interessa, um certo mistério pelo lado do Santos: Paulo Henrique Ganso treinou entre os titulares, fez até gol de cabeça, provavelmente poderá até jogar- embora o médico do clube diga que “ele ainda não está 100 por cento, deve fazer um teste poucas horas antes do jogo”.

Ganso pode mudar muita coisa.

Pelo lado corintiano, não há mistérios. E sim uma possível novidade surpreendente: por falta de um centroavante- Liedson nem viajou com o grupo-, Danilo deverá fazer a função de homem- gol, aproveitando sua altura (1 metro e 86), posição que, é sabido, jamais foi a dele, meia por vocação e tradição.

Mesmo assim, quem ousa arriscar um palpite para um jogo como esse? E também desperta a curiosidade sobre qual Neymar estará em campo- aquele que estava arrasando ou o jogador comum que, desde os jogos contra o Vélez e continuando a mesma coisa na Seleção- só fez valer a impressão que uma comparação ente ele e Messi- o melhor do mundo- é só uma fantasia?

2- Outro jogo com cheiro de decisão, já começando a valer uma vaga para a final da Copa do Brasil, será o de Porto Alegre, com o Grêmio enfrentando o Palmeiras. Mistério de ambas as partes, Luxemburgo e Felipão, sendo provável, no entanto, que o Grêmio jogue com três atacantes- Kleber, Marcelo Moreno e Miralles-, podendo o Palmeiras atuar com três zagueiros- Thiago Heleno, Leandro Amaro e Henrique (como terceiro zagueiro, função semelhante à de Edmilson na Copa de 2002). Suposições, por enquanto.

Cometerá grande engano, no entanto, Felipão se insistir em deixar Barcos mais uma vez sozinho à frente. Quem joga fechadinho precisa ter alguém veloz para puxar o contra-ataque. E este alguém deveria ser Maikon Leite...

3- O Vídeo do sequestro de Valdivia

                                                           Foto: Reprodução do video do SBT 

Divulgada pelo SBT (pelo menos foi onde vi e está na internet) fica claro que Valdivia está ao lado de um homem alto que, meio que na moita, é o suposto sequestrador. A policia, ao que parece, já não tem mais dúvidas. Resta agora um duro trabalho: recuperar o lado emocional do jogador, que segundo César Sampaio (diretor de futebol do Palmeiras) está mal e “até chorou” na conversa que tiveram.

O tempo talvez amenize os temores de Daniela Aránguiz (esposa de Valdivia), que, por enquanto se mostra irredutível em sua decisão de não mais morar no Brasil.

Nervos à flor da pele.

Que tudo termine com um final feliz.

O estranho caso Valdivia

Em entrevista à TVN, meia já havia dito que dificilmente voltaria ao Brasil sem a família

                                                                           Foto: Reprodução

Não seria leviano para dizer que foi simulado esse sequestro- relâmpago de Valdivia e sua mulher, Daniela Aránguis. Prefiro acreditar que o fato realmente ocorreu, inclusive com as cenas de terror e crueldade, típicos de acontecimentos como esse.

O que me intriga é que, até o momento, os vídeos de segurança onde teria acontecido o lamentável episódio não exibiram a imagem do sequestrador. Por quê? Pelo menos, ao que me consta, a polícia ainda não confirmou. E qual a razão de Valdivia ter se negado a fazer o B.O (Boletim de Ocorrência), naquele noite mesmo, que é o que normalmente se faz em terríveis incidentes desse tipo.

ATUALIZANDO:  (Valdívia chegou ao Brasil na noite desta segunda-feira e foi até o 23º Distrito Policial, de Perdizes, prestando depoimento sobre o caso. Segundo o delegado Marco Aurélio Batista, o jogador sustentou sua versão sobre o sequestro- relâmpago, sofrido por ele e por sua mulher. Segundo a tevê Bandeirantes, ao sair Valdivia não quis dar entrevista e nenhum tipo de declaração).

Valdivia estava em estado de choque, como disse seu pai? Talvez. Mas estranhamente ele deu suculenta entrevista a TVN, canal de tevê chileno, onde colocava em dúvida sua permanência no Palmeiras, pois sua mulher, Daniela, não queria mais morar no Brasil e “eu não resistiria sem minha família”. 

Nesta segunda-feira, o irmão e conselheiro de Valdivia, Claudio, reafirmou que não é provável que o jogador continue no Palmeiras. Aliás, ele adiou, com o consentimento da diretoria, de segunda para terça-feira, sua apresentação ao clube, já que não poderá mesmo enfrentar o Grêmio, pois está suspenso.

Então, vamos lá. Além do caso que traumatizou Daniela Aranguín, surgem as teorias de conspiração. São comentários que recebo, mas por zelo classifico de especulações:

1-  Por que Valdivia não atendeu o telefonema de Felipão, no sábado, sob a alegação de Daniela-(esposa de Valdivia) que conversou com o técnico- de que o jogador estava dormindo. Não daria para interromper um pouquinho o sono para atender o “chefe” que lhe dava apoio? Há quem diga que a relação dos dois é apenas profissional, sem nada de afeto ou amizade.

2- Valdivia joga uma partida, a outra não, em função de ter sido detectado o fato dos músculos do atleta não serem os ideais para um jogador de futebol, sempre sujeito a lesões musculares. O que não acontecia em 2008, quando Valdivia foi campeão e ídolo no Palmeiras.

3- Há quem me diga que o Valdivia não está feliz no clube. Principalmente com Felipão.

Não posso assegurar que sejam informações verdadeiras. São, no entanto, comentários que me chegam.

E o que fazer com Valdivia? Nem pensar em negociá-lo com o mundo árabe antes do final de julho- mais ou menos por aí- porque senão, por contrato, o Palmeiras teria de dar 2 milhões de euros ao Al Ain, seu antigo clube. Depois, pode. E creio que será o Qatar, local tranquilo para jogadores e técnicos estrangeiros, que tem até praia artificial, o futuro do jogador.

Este é um mero palpite. Ou, como queiram, apenas uma reflexão, analisando o mercado.

ATUALIZANDO: E finalmente surgiu o video, divulgado pelo SBT, mostrando Valdivia, a esposa e o suposto sequestrador, dirimindo qualquer dúvida sobre a veracidade do terrivel incidente que tanto assustou o jogador e Daniela. Resta agora saber se será possível resgatar o estado emocional de ambos.

Corinthians, o pesado fardo de carregar a lanterna. A vingança de Paulo Miranda. E o Vasco dispara.

Pode parecer coisa à toa, pois o Corinthians jogou com os reservas e a competição ainda está em seu início. Mas não deixa de ser inusitado: com a derrota para o Grêmio, por 2 a 0, em Porto Alegre, o Corinthians passou a ser o lanterninha do Campeonato Brasileiro, com um ponto ganho e só um gol marcado, exatamente o contrário do ano passado quando teve um início de torneio espetacular, acumulando aquela “gordurinha” que o fez campeão brasileiro.

Está certo que o foco é outro, é a obsessão pela Libertadores e que na próxima quarta-feira já surgirá o Santos pela frente. Mas é que o Corinthians andava se orgulhando de seu elenco e, diante do Grêmio, contou com jogadores como Douglas, Fábio Santos, Willian, Elton e que tais. Era para ter apresentado um futebol melhor.

Não foi, no entanto, o que se viu. O Grêmio venceu com extrema facilidade, sem correr demais (na quarta-feira terá pela frente o Palmeiras, pela Copa do Brasil), com um belo gol de Marco Antônio e outro de André Lima, só não estabelecendo o terceiro porque Kleber, também chamado de “o Gladiador”, perdeu chance incrível, perdendo um desses gols que, na gíria do futebol, são chamados de “feitos”.

Enfim, segue o Corinthians em sua pífia campanha no Campeonato Brasileiro. E não sei até que ponto carregar esse fardo de ser o lanterna- ainda que em quatro rodadas- possa influenciar em seu duelo com o Santos. Menos mal para os corintianos que os santistas também vão mal na competição, com três empates e uma derrota (a deste domingo, diante do São Paulo), o que pode equilibrar o estado anímico dos dois concorrentes a uma vaga na final da Libertadores.

A  VINGANÇA  DE  PAULO  MIRANDA

Foi exatamente por sua má atuação contra o Santos, derrota de 3 a 1, pelo Campeonato Paulista, que Paulo Miranda foi pivô de uma crise entre o técnico Leão e a diretoria do São Paulo: às vésperas do jogo contra a Ponte Preta, concentrado e já escalado pelo técnico, Paulo Miranda foi afastado provavelmente pelo presidente do clube, Juvenal Juvêncio, deixando o técnico em situação difícil.

A tormenta passou, Paulo Miranda voltou e, no começo da noite deste domingo, foi o herói da vitória tricolor, ao marcar o gol da vitória sobre um Santos remendado (só jogaram três titulares), estabelecendo o placar de 1 a 0: Jadson centrou da direita, Rhodolfo escorou de cabeça e, também de cabeça, Paulo Miranda jogou a bola para o fundo das redes santistas.

O clássico esteve longe de ser brilhante. Mas teve duas curiosidades: a presença de Lucas, que chegou de manhã dos Estados Unidos (onde estava coma Seleção Brasileira) e jogou: e a quase inexistência de público- apenas 6 mil e poucos pagantes- que caberia perfeitamente, digamos, no romântico campo da rua Javari.

Mas que não é, nem de longe, um público para um clássico entre São Paulo e Santos.

VASCO,  SENSACIONAL

Espetacular a arrancada do Vasco neste início de Campeonato Brasileiro: ao vencer o Bahia, por 2 a 1, em Salvador (que não é fácil), os vascaínos mantiveram aproveitamento de 100 por cento, com quatro vitórias em quatro jogos. E além do belo gol de Juninho, de falta, ressalte-se o belíssimo gol de Diego Souza, encobrindo o goleiro, fazendo o que desperdiçou diante do Corinthians, no célebre gol perdido que tirou do Vasco a classificação para enfrentar o Santos, pela Libertadores.

De certa forma, Diego está redimido. De certa forma, eu disse.

Na estreia de Ronaldinho Gaúcho, o Palmeiras deu pena. E Messi, outra vez.

Fossem outros os tempos, quando o Palmeiras era Palmeiras, e nem seria preciso esperar o dia amanhecer para que providências fossem tomadas: o técnico seria demitido, o presidente pediria 48 horas para responder se renunciaria ou não, o que restou da diretoria de futebol correria atrás de reforços e de informações precisas sobre quem da base poderia subir.

Pois a impressão que se teve depois de o Palmeiras perder para o Atlético Mineiro, por 1 a 0, na estreia de Ronaldinho Gaúcho (até que boa, pelo segundo tempo) foi a de que o time caminha a passos seguros para o fundo do poço. É preciso esperar por esse fundo para agir? O Pacaembu quase vazio era uma resposta significativa.

Perder faz parte do jogo. Mas não assim- e de forma repetitiva: o Palmeiras não criou uma única chance de gol coma bola rolando, não mostrou uma jogada sequer trabalhada para atacar (coisas assim como tabelinhas, triangulações, “um- dois”-, o bê-á-bá de uma equipe ofensiva), o goleiro do Atlético Mineiro não teve a oportunidade de fazer qualquer tipo de defesa importante.

Só por duas vezes, o Palmeiras ameaçou o Galo, naquela sua velha e conhecidíssima arma: falta cobrada por Marcos Assunção e bola não travessão. Por duas vezes.

Enquanto isso, o Atlético soube atacar, marcou o seu gol em bela jogada de Benard e oportuna cabeçada de Jô, além de obrigar Bruno a duas boas defesas e ter dois gols anulados- um de Bernard, outro de Rafael Marques- que pareceram legais, válidos. Enfim, um massacre de eficiência ofensiva.

Quanto a Ronaldinho Gaúcho, o estreante, não brilhou no primeiro tempo, muito bem marcado por Márcio Araújo. No segundo tempo, no entanto, movimentou-se mais, fez bons passes e participou dos dois gols anulados (em minha opinião, injustamente) do Atlético, tornando feliz a sua estreia. O Atlético tem time e elenco para ir bem no Campeonato.

E o Palmeiras? Bem, tem agora, pela frente, a Copa do Brasil. Tem elenco inferior ao do Grêmio e ao do São Paulo, rivalizando-se talvez, com o Coritiba. Isso não significa que já esteja derrotado: acidentes acontecem, zebras também. O Palmeiras pode até ganhar. Mas é como zebra que enfrentará o Grêmio em, em Porto Alegre, pela Copa do Brasil.

E ser zebra não é exatamente o que gostaria o torcedor palmeirense, acostumado a tentas conquistas no século passado.

NOVO  SHOW  DE  MESSI.  AGORA,  CONTRA  NÓS,

Até pelo placar, elástico, 4 a 3, agradou o jogo entre Brasil e Argentina, em Nova Jersey, nesta tarde de sábado. Pena que os quatro gols foram argentinos, pertencendo-nos os três, pois que, apesar das nuances e alternativas, foi de nosso arquirrival a vitória.

Bem, como fazer se “los Hermanos” possuem Messi? Ele é um gênio: um gênio diferente, silencioso, que não faz espalhafato, rosto sempre sério, a bola parecendo grudada em seu pé esquerdo. Para o drible e para o arremate.

Messi parece um robô programado para jogar futebol.

Ah, tínhamos Neymar... Mas este é um anti- Messi, há 6 jogos (desde as partidas diante do Vélez, pela Libertadores) não exibe o futebol que o consagrou, vive fase modesta. Será excesso de badalação?

Sei lá. O que sei é que em jogos internacionais, o menino de ouro do Santos, precoce proprietário de um iate de milhões e milhões de reais, não limpa a chuteira de Messi, Aqueles 4 a 0 do Barcelona sobre o Santos, na final do Mundial entre os clubes, não foram um acidente ou mera coincidência.