Dramas do futebol. E um até breve...
Meu Deus! Um dia antes das fortes emoções da semana, com a definição dos finalistas das Libertadores, dramas dos mais variados tipos invadem o futebol brasileiro. E isso desde a emocionada despedida de Roger- com direito às lagrimas-, clube que visivelmente não o queria mais, passando pela falta de ambiente de “Loco” Abreu no Botafogo ou pelas constantes faltas de Adriano à fisioterapia do Flamengo (que ameaça não, mas querer contratá-lo e culminando com o relatório do árbitro do jogo do São Paulo contra o Atlético Mineiro, detalhando palavrões e ameaças de Luís Fabiano.
São dramas, sim. No artigo em que está incurso, Luís Fabiano, já supostamente multado pelo São Paulo, corre o risco de pegar um gancho de até 12 jogos. Não acredito que chegue a tanto, mas é um caso que, mais do que eu disse, de alto risco de punição. E a troco de quase nada.
Fico pensando, tal qual um Sherlock Holmes amador, no que estaria acontecendo. Talvez sejam problemas típicos brasileiros, onde os jogadores ficam ricos e podem desviar o foco, como se estivessem atuando, por favor, na terra tupiniquim depois de fortunas acumuladas lá fora. E talvez por esse motivo pensam que podem agir como bem entenderem.
Alguém ousa explicar por que um Adriano, aos 30 anos, reluta tanto em se tratar devidamente para voltar aos campos- e ainda pelo Flamengo que ele diz ser “a minha casa”? Talvez pense que o clube devesse contratá-lo esteja como estiver, acima do peso ou não, apto clinicamente ou não, pois já que ele, O Imperador, se dispõe a jogar por aqui. Mera suposição. Mas é a impressão que passa.
E será que Roger se sente injustiçado no Cruzeiro, onde não teve sucesso e brigou pelo não rebaixamento, ainda mais que agora é treinado por Celso Roth, conhecedor de sua história no Grêmio, clube que trocou, de repente e quase sem aviso prévio há um certo tempo pelos encantos do dinheiro árabe?
Tudo bem. Talvez seja o profissionalismo. Mas então o por que das lágrimas de emoção?
Não combina.
E daí por diante. Pode ser que nossos grandes clubes estejam endinheirando demais certos jogadores, embora sem o rigor dos europeus. Sabe como é? Passa-se a mão na cabeça- e pronto...
O MEU ATÉ BREVE...
E com viagem agendada já algum tempo para a Europa, vou perder alguns jogos que gostaria de acompanhar, entre eles o Corinthians e Santos desta quarta-feira, no horário em que estarei dentro do avião.
Tentarei enviar alguns posts, se as ferramentas e os locais me ajudarem...
Em termos regulares, no entanto, só mês que vem. E então, de minha parte, “ciao”. E um forte abraço deste blogueiro em busca de recarregar a bateria. Ou a energia.
Luís Fabiano, Liedson, Loco Abreu: os goleadores e seus problemas.
São três casos diferentes. Mas, por um motivo ou por outro, todos estão convivendo com problemas, que chamam mais a atenção porque se tratam de artilheiros de ofício- algo não muito comum no atual futebol brasileiro.
O caso de Luís Fabiano talvez seja o mais difícil de entender. Não é contestado no São Paulo por sua competência ofensiva e, mesmo aos 31 anos, é centroavante perigoso e que vem fazendo gols. O que nele se contesta é o temperamento, às vezes explosivo dentro do campo e que lhe está custando no Campeonato Brasileiro a média de um cartão por jogo, sendo que, o último, quando fez o gol da vitória contra o Atlético Mineiro, o cartão que ele recebeu foi vermelho, seguido de supostas ofensas ao árbitro, custando-lhe a reprovação dos próprios companheiros, do presidente Juvenal Juvêncio e de outros diretores.
E o que é pior: Luís Fabiano desfalcará o tricolor no próximo jogo do Brasileiro e ainda será submetido a julgamento, com chance de ser punido com mais rigor. O que estará atormentando, Fabiano? Não vivo o seu dia a dia, mas, à distância, por opiniões de companheiros de imprensa, parece-me razoável que ele talvez interprete com muita gana o papel de capitão do time. E também que o estilo de Lucas, com suas jogadas individuais, o incomoda.
E não deveria.
O caso de Liedson, que mais uma vez se queixou da reserva- embora não faltasse ao respeito com o técnico Tite- é outro: disciplinado, obediente, não consegue repetir o que fez em seu começo de Corinthians, quando marcou muitos e muitos gols. Também deve preocupá-lo o contrato, ainda não renovado, pois o clube lhe oferece um compromisso curto (em função da idade e de problemas clínicos), enquanto o “Levezinho” deseja um acordo bem mais duradouro. O fato é que o Corinthians deve enfrentar o Santos sem nenhum centroavante de ofício- logo ele que, há pouco, tinha até excesso na posição, com o próprio Liedson, Adriano e o grandalhão Elton (que não vingou).
E, finalmente, o caso de “El Loco” Abreu. Ídolo do Botafogo faz pouquíssimo tempo, agora foi para o banco de reservas e, embora sempre diplomático, não se conforma e deseja sair do clube. O diabo é que Abreu já tem 35 anos (completará 36 em outubro de 2012) e teve brusca queda de rendimento, perdendo a posição para o argentino Herrera, que se movimenta mais, enquanto “El Loco”, com 1 metro e 93, vive mais da arte de cabecear e das “cavadinhas”.
Mesmo assim, não haveria lugar para ele por um tempinho a mais?
Luís Fabiano, o céu e o inferno. E mais: o Corinthians ainda mais lanterna e ah, se o Palmeiras tivesse um grande goleiro e um parceiro para Barcos...
Ao final do jogo, uma importante vitória do São Paulo sobre o Atlético Mineiro (1 a 0), no Morumbi, o autor do gol, Luís Fabiano, normalmente seria aclamado como o herói da partida. Mas não era: expulso de campo, desnecessariamente, por reclamar demais, irá desfalcar o tricolor na próxima partida e recebeu críticas do técnico Leão, de diretores e até uma observação de seu companheiro de ataque, Lucas: “Ele, fora de campo, é boa gente, fica na dele. Mas em campo fica nervoso, fica louco”- dizia Lucas.
Na verdade, Luís Fabiano, de gênio intempestivo dentro de campo, conseguiu a façanha de levar cartão em todos os jogos disputou até aqui, pelo Campeonato Brasileiro: nas três primeiras partidas, um cartão amarelo cada uma (o que o tirou do quarto jogo) e neste, em que deveria ou poderia ter saído como herói, foi além, ganhando de presente o cartão vermelho, que, automaticamente, o tira de ação do próximo compromisso.
Dentro de campo, no entanto, em jogo equilibrado, Luís Fabiano mostrou sua versão- artilheiro, recebendo o belo passe de Jadson e vencendo, como um verdadeiro goleador, o goleiro Giovanni, do Atlético.
Numa só tarde, Fabiano teve, então, a chance de conhecer o céu- pelo gol- e o inferno- ou, no mínimo o purgatório, digamos- pela expulsão, “de graça”, que prejudica o seu time.
CORINTHIANS, A DERROTA DO LANTERNINHA.
O Corinthians está apostando todas as suas fichas na Libertadores, sua verdadeira obsessão. E nem deve ligar muito para a sua situação no Campeonato Brasileiro, embora este seja, no mínimo, muito preocupante: ao jogar com seus reservas e perder- com justiça- para a Ponte Preta, em Campinas, por 1 a 0 (gol de André Luís, de cabeça), tornou-se o Corinthians o único lanterna até por pontos (tem só um), pois antes perdia apenas no critério de desempate.
Tudo bem, o que interessa mesmo é o duelo contra o Santos, pela Libertadores, mas essa situação no Campeonato Brasileiro custará a ser revertida. E esse negócio de jogar com os reservas é uma boa desculpa até a página dois: entre eles não estava o “Maestro Douglas” (totalmente dominado por Baraka), assim com Willian, Elton, Wallace e até Liedson- este nos minutos finais?
Talvez o elenco não seja tão bom quanto se pensava.
PALMEIRAS: A FALTA DE UM GRANDE GOLEIRO. E A DE UM PARCEIRO PARRA BARCOS.
Tudo levava a crer que o Palmeiras iria conseguir sua primeira vitória do Campeonato Brasileiro, neste domingo, em Barueri. Afinal, vencia por 1 a 0 (belo gol de Mazinho, como se fosse um ponta-esquerda) e, mesmo tendo menos categoria do que o Vasco no toque de bola, parecia ter o jogo sob controle.
E, de repente, aos 38 minutos do segundo tempo, o sonho se foi: Carlos Alberto (que entrara no lugar de Diego Souza, vaiado) tentou driblar Henrique que, ao escorregar, tocou a mão na bola. Suspense: quem iria cobrar a falta era o craque Juninho Pernambucano. E assim se fez: chute forte, no canto direito, onde estava o goleiro Bruno. Empate, 1 a 1.
Foi frango de Bruno? Não, não foi frango. Mas seria uma bola defensável para um grande goleiro, pois a bola foi em seu canto. Acontece que, ao contrário da linhagem de grandes goleiros que o Palmeiras quase sempre teve, Bruno é um goleiro comum, sem as virtudes necessárias para uma equipe que já teve Marcos, Leão, Valdir Joaquim de Moraes, Oberdã Catani, etc.
Será que Felipão já pensou em dar uma chance a Fábio ou a Rafael Alemão, dois jovens goleiros que despontam como donos de grande potencial?
Mas o Palmeiras não deixou de ganhar apenas por causa das limitações de Bruno. É visível, a cada jogo, como faz falta um parceiro para o hábil Barcos, tipo Thiago Ribeiro ou Tison, pois Maikon Leite e Mazinho são bons, jogando, no entanto, mais como extremas.
E para finalizar, já visando o jogo contra o Grêmio, o Palmeiras já perdeu, por contusão, Luan. E talvez Marcos Assunção, que dá a impressão de, já há algum tempo, sentir incômodo nos músculos.
PS. Quanto aos lance polêmicos, depois de ver e rever as imagens da tevê, acompanho a opinião do comentarista da Sportv e concluo que foi bem anulado o gol de Alecsandro (estava impedido) e que não houve pênalti sobre Barcos e sim apenas um forte choque entre o centroavante eo zagueiro do Vasco.
SANTOS: ZONA DA DEGOLA E DERROTA
Até que o Santos fez demais com seus reservas, sem ninguém de nome (ao contrário do Corinthians), diante do Flamengo, no Engenhão. Perdeu apenas por 1 a 0, gol de pênalti, marcado por Botinelli, aos 42 minutos do segundo tempo. Mas segue sem vencer no Campeonato e está com três pontos ganhos, na zona da degola.
No Mercado da Bola, vêm ai as transações milionárias. Lá fora.
Por enquanto, não irão rolar no Brasil As transações milionárias irão estourar na Europa, apesar da crise econômica. Já se dá como consumada a ida do atacante brasileiro Hulk, do Porto, para o Chelsea (que perdeu Drogba) por um valor altíssimo: 47 milhões de euros que, com o avanço do preço da moeda, significam algo em torno de 135 milhões de reais. E Hulk, convenhamos, não é exatamente o craque.
O Milan reluta e diz que não quer- embora no mudo do futebol, as situações mudem de um momento para o outro- vender seu zagueiro Thiago Silva, ex- Flu, por 42 milhões de euros, cerca de 120 milhões de reais, que foi quanto ofereceu o novo- rico do futebol europeu, o Paris Saint Germain que conta, agora, com o forte incentivo de dinheiro árabe. Conseguirá a equipe de Berlusconi resistir por muito mais tempo?
Por falar em tempo, parece que o de Robinho como astro já passou. Este, sim, o Milan talvez tope vender por 15 milhões de euros (cerca de 40 milhões de reais) para o espanhol Málaga, que não tem uma equipe de primeira linha. O rei das ”pedaladas” recusou a oferte milanesa de 6 milhões de euros anuais para reformar o seu contrato.
Que crise é esta, que não atinge o futebol? Para os brasileiros, um lance como esse é quase inimaginável, inda mais com uma curiosidade: todos os outros jogadores citados, também brasileiros, estão na Europa e vão sendo negociados indo de clube para outro- mas do Exterior. Por aqui, aparentemente, o quase sempre temido êxodo não está com jeito de acontecer, diante de ofertas modestas: Paulinho, do Corinthians, um dos melhores volantes em ação no futebol brasileiro, teve oferta de apenas 8 milhões de euros do CSKA, de Moscou, e nem se abalou por recusar a transferência; o Palmeiras negociou com o italiano Genova, o volante Anselmo, há dois anos tido como grande promessa e que agora esta emprestado ao São Caetano.
Há algo de estranho no desinteresse por nossos jogadores. Com exceção dos já consagrados e jovens como Neymar e Lucas, quem ousa fazer um lance irresistível por aqueles que por aqui jogam?
Não, é visível que existe uma certa desconfiança em algo que não sei definir. É preciso que o brasileiro se destaque primeiro num clube lá de fora para interessar a outro, também do Exterior.
Tenho um palpite, mero palpite: estamos jogando um futebol muito defensivo para nossos padrões dos tempos de ouro, com poucos atacantes de destaque e, consequentemente, desanimando os europeus. Pois gladiadores e “fortões”, eles já têm de sobra.
