Mais dinheiro para o Corinthians. E Neymar, incrível!

Foto: Renato Cordeiro
Ainda não se trata do patrocínio máster na camisa que, segundo informações, virá logo. Mas, valorizado ao extremo por suas recentes conquistas, o Corinthians pode vender nas próximas horas um jogador reserva, com idade de júnior, por 4 milhões e meios de euros (mais de 11 milhões de reais), preço de muito craque já consumado.
Trata-se de Marquinhos, zagueiro e que já foi improvisado por Tite no meio-campo. E a minha fonte tem nome, pois fui autorizado a publicar seu nome e o acerto –ou erro- deve a ele, meu amigo Robério, ser creditado: Robério é um corintiano apaixonado, sempre que pode vai aos jogos da base, é ótimo cabeleireiro, diretor de uma famosa escola de samba e cultiva informações de bastidores. Diz ele que o clube comprador será a Roma, que já gastou um bocado pelos também corintianos Leandro Castán e Dodô.
Não é nada, não é nada, mais dinheiro em caixa para investir em reforços. O rio não corre para o mar?
Por falar em rio correr para o mar, o tal estado de graça corintiano continua também dentro de campo: na noite desta quinta-feira, em partida definida pelo técnico Tite como “jogo de xadrez”, o Corinthians com vários desfalques venceu o desfigurado Inter- que ainda tinha mais desfalques-, pelo placar de 1 a 0. Gol de Paulo André, de cabeça.
Qualquer um poderia ter vencido, mas a fase do Corinthians é mesmo boa e a equipe insinua bela reação, já ocupando a nona colocação, depois de mau começo no Campeonato Brasileiro.
NEYMAR: INCRÍVEL!
Foto: Cristiano Andujar/ AE
Poucos fariam o que Neymar fez. Pois não que é ele, depois de jogar 82 minutos na quarta-feira contra a Suécia, viajou 14 horas de jatinho para jogar na quinta diante do Figueirense? E não apenas jogou o tempo todo como também desequilibrou: fez belo gol-depois de driblar dois defensores- e ainda rolou a bola para Paulo Henrique Ganso marcar o dele na vitória, de virada, por 3 a 1, em Florianópolis.
Sem queixas, sem cansaço, sem desculpas. Neymar foi mesmo incrível!
O Palmeiras respira, o São Paulo tem até gol contra de Ceni. E a rodada...
Ufa! Pelo menos por enquanto, o Palmeiras e seus torcedores respiram mais aliviados: o time está fora da zona da degola após vencer o Flamengo por 1 a 0 (gol de Barcos), em Barueri, o que tem um significado maior do que o futebol exibido, pois o fantasma do rebaixamento modifica qualquer tipo de jogo ou ambição.
O Palmeiras jogou melhor do que o Flamengo? Sim, mesmo antes da expulsão do flamenguista Ibson, ainda no primeiro tempo, seu toque de bola era superior e o goleiro Felipe aparecia mais do que o palmeirense Bruno. Ah, com Valdivia o ritmo é bem diferente. E o ótimo Barcos poderia ter marcado, depois de lançamento perfeito de Marcos Assunção, quando matou a bola no peito e, ao invés de chutar de primeira, quis fintar Felipe e perdeu o gol.
Mas foi em um lance polêmico que o Palmeiras chegou ao gol que seria o da vitória: depois de bom passe de Patrik (que, desta vez, não jogou mal), Artur chutou, Felipe deu rebote e Barcos mandou para as redes. A olho nu, jogada perfeita. Mas a câmera da tevê flagrou Barcos um pouco adiantado, em posição de impedimento.
Lance difícil.
Com o gol e o Flamengo com dez jogadores, o Palmeiras optou “cozinhar” a partida no segundo tempo, tocando a bola e sem correr risco algum do alquebrado Flamengo. Normalmente sou contra esse estilo, mas pelas circunstâncias, quando vencer significava quase a sobrevivência, entendi o momento. Mais importante do que jogar bem era garantir os três pontos.
E a luta continua, pois deverá ser árdua a missão de subir na tabela. Já para o próximo domingo, em Goiânia, contra o Atlético Goianiense que vem de empates contra o Corinthians, o Santos e o líder Atlético Mineiro, Felipão não poderá contar com Henrique (terceiro cartão amarelo) e muito provavelmente nem com Marcos Assunção, que não voltou do intervalo com problemas no joelho.
Emoções à vista.
ATÉ GOL CONTRA DE ROGÉRIO CENI...
Foi um lance estranho, sinistro. Rogério Ceni socou a bola alçada sobre a sua área, ela subiu e, tal qual um bumerangue, voltou para o gol tricolor, indo às redes. Inédito: goleiro-artilheiro que sempre foi ao longo da carreira, o capitão Ceni marcava, pela primeira vez, um contra o seu São Paulo.
São Paulo que, pelos melhores momentos que vi, foi totalmente envolvido por um endiabrado Náutico, perdendo só por 3 a 0, quando o placar poderia ter sido muito maior.
Enquanto o Náutico sobe na tabela, o São Paulo de Ney Franco- e sem Lucas e Luís Fabiano- vai de mal a pior, já com três derrotas consecutivas e a difícil equação a ser resolvida de ou reagir já ou correr o risco de não sonhar sequer com uma vaga na Libertadores da América pela classificação no Campeonato Brasileiro.
O que é preocupante para um elenco farto e caro.
SURPRESAS NA RODADA
Donos de boas campanhas no Campeonato, o Grêmio e a Ponte Preta foram surpreendidos, jogando dentro de casa. Os gaúchos pela Portuguesa (2 a 1 para a Lusa) que vem exibindo performance elogiável para suas limitações, invicta há 7 jogos e muito bem dirigida pelo técnico Geninho: a Ponte Preta perdeu para o Bahia (2 a 0), em Campinas, o que quebrou sua sequência de boas atuações, ficando nos ainda perigosos 20 pontos.
Considerei até que razoável o empate do líder, o Atlético Mineiro, pois enfrentar o outro Atlético, Goianiense, no Serra Dourada é sinal de perigo para qualquer um diante do desespero dos goianos e também de suas últimas atuações quando, no Pacaembu, quase venceu o Santos e o Corinthians.
Normal também o empate entre Cruzeiro e Fluminense (1 a 1), em Minas, apesar da polêmica no gol cruzeirense, marcado por Wellington Paulista, em lance que nem a tecnologia foi capaz de apontar se o atacante usou ou não a mão na jogada.
Quanto às surpresas, creio que elas vão surgir mais e mais daqui para a frente.
No Mercado da bola, Guilherme, Correa e o "batatinha quando nasce, esparrama...".
Guilherme é o novo reforço do Corinthians, já se sabe. Boa aquisição para um elenco que já é forte, campeão da Taça Libertadores e que vai disputar o Mundial de clubes, precavendo-se os corintianos de um eventual desfalque de Ralf ou Paulinho, jogadores que não tinham um substituto à altura.
Curioso foi o que aconteceu nos bastidores, pois já se tinha como quase certa a ida do jogador para o Palmeiras, velho rival do Corinthians. Enquanto o vice de futebol corintiano, Roberto de Andrade, comentava a vitória sobre o concorrente com extrema sobriedade e sem brincadeirinhas, o vice de futebol do Palmeiras, Roberto Frizzo, tentava explicar a derrota com suas já conhecidas metáforas ou frases de efeito. Nem sempre bem sucedidas.
Ora, vamos deixar a carranca de lado e entender as piadas ou justificativas do cartola. O futebol nem é tão importante, que mal existe se alguém- que parece não ter entendido as lições de raposas palestrinas- como Ferrucio Sandoli, José Gimenez Lopes, Seraphin Del Grande, Nélson Duque, Arnaldo Tirone (o pai) e tantos outros da época em que o Palmeiras era uma escola de dirigentes- ah, que mal existe se esse senhor se diverte com suas indagações. Pois não acharam engraçado quando ele disse algo como “Palmeiras não é marina para ter Barcos”, quase melando a vinda desse ótimo centroavante?
Pois nesse caso de Guilherme, que teria optado pelo Corinthians por questões sentimentais, lá se foi o senhor Frizzo a comparar as batidas de corações, um (o jogador) a preferir ser corintiano, outro (o do cartola) a dizer que “seu coração não quer ninguém que não queira estar no seu clube”.
Confuso? Não, não exageremos. Só que- nada contra a pessoa- se o cartola permitir, deixo aqui a minha sugestão de linguagem mais singela. Para relembrar os tempos de infância, por que não comentar sobre o caso declamando aqueles versinhos tão mimosos: “Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão/ e a menina quando dorme põe a mão no coração”.
Talvez fosse mais nostálgico. Talvez lembrasse a antiga escola de dirigentes da boa época.
Mas como tudo na vida tem seu troco, se o Corinthians festeja o novo reforço- ainda que seja uma promessa- o Palmeiras vai responder com alguém (bem) mais experiente: Correa, 31 anos, razoável com a bola rolando, melhor na bola parada.
Sei lá. Estou curioso para saber o que vai dizer o cartola/ frasista do Palmeiras. Por acaso, não será do tipo daquela música que diz “Panela velha é que faz comida boa”.
Ronaldinho, Neymar e outros: quem está em alta ou em baixa entre os astros. E o Mercado da Bola.
Eterna gangorra na cotação do futebol- à exceção de jogadores realmente extraordinários e constantes como Pelé, Cruyff, Messi e Maradona, por exemplo- os astros dos gramados se revezam entre a alta e a baixa em velocidade impressionante.
Quem diria que Ronaldinho Gaúcho, cuja não convocação para os Jogos Olímpicos foi até festejada, desfrutasse agora, no Atlético Mineiro, de desempenho tão marcante? Dá gosto vê-lo jogar pelo Galo, onde é precioso nos lançamentos e surpreendente como atacante, como jogo de domingo passado, diante do Vasco, quando, como autêntico ponta-esquerda, aplicou drible desconcertante no marcador e centrou para Jô marcar de cabeça.
Na contramão do sucesso de Ronaldinho, Neymar parece viver fase de jogador comum, sem os dribles mágicos, sem os arremates certeiros. Ele não faz quase nada. E anda criando o estigma de apenas atuar bem pelo Santos (e nem isso o fez contra o Barcelona), talvez por sentir o peso da camisa da Seleção Brasileira, talvez por fadiga de tantos compromissos.
Pode ser uma fase. Tomara.
Caminho igual, ainda mais tortuoso, é trilhado por seu companheiro de clube, Paulo Henrique Ganso, dispensado até da Seleção por “motivos técnicos”. Logo ele, há pouco tempo símbolo do camisa 10 do futebol brasileiro, considerado o mais lúcido, pensante e criativo de nossos campos.
A fama não terá chegado cedo demais para esses meninos?
Sei lá. E há outros exemplos. Inclusive histórias de jogador que despontou, encantou e depois sumiu na vala dos comuns.
Tenho certeza de que não será essa a trajetória de Neymar, também espero que não seja a de Ganso.
Afinal, Ronaldinho Gaúcho não ressurgiu das cinzas?
O MERCADO DA BOLA NACIONAL
1- Na noite desta segunda-feira, a Portuguesa anunciou que negociou seu volante, Guilherme, por 7 milhões de reais (detinha 70 por cento os direitos federativos do jogador) a um grupo de empresários. E nem quer saber onde ele vai jogar. A tendência é que atue no Palmeiras, embora em negociação desse tipo nenhuma surpresa de última hora possa ser descartada.
(Atualizando: E a tal surpresa de última hora, aconteceu. E atende pelo nome de Corinthians, com quem o jogador acertou o contrato de cinco anos na manhã desta terça -feira. Assim, o Corinthians fica com o craque e o Palmeiras com mais um sonho desfeito).
Caso vá mesmo para o Palmeiras, drama neste Campeonato Brasileiro à parte, belo meio-campo está se insinuando para a Libertadores: Henrique, Guilherme, Wesley e Valdivia, jogadores técnicos e capazes de municiarem Hernán Barcos e Obina.·.
Já é um alento, pois não?
2- A caça ao goleador: nesta- segunda feira, Rafael Moura se apresentou ao Inter gaúcho, vestindo a camisa número 19 e prometendo “garra gaúcha”. Bom reforço ”colorado”. E dá tempo ainda de falar sobre André, jovem centroavante repatriado pelo Santos, menino de 21 anos e que fez muitos gols, no começo da carreira, atuando ao lado de Neymar e Ganso.
E apenas como curiosidade, aos que ainda buscam um atacante para seus elencos, vi os melhores momentos (o que não serve muito de parâmetro, pois são editados apenas os que interessam) de um jogador que me chamou a atenção: ele tem 30 gols marcados na temporada (é o segundo artilheiro da temporada no Brasil), 1 metro e 88 de altura e velocidade surpreendente para sua altura. Trata-se de Lúcio Maranhão, do Asa de Arapiraca.
Merece ser acompanhado e observado mais de perto. Mas não deixa de ser uma dica.
Palmeiras, retranca e derrota. Romarinho, de letra. E a rodada...
Compreendo muito bem o sentimento de Andrezinho Tessitore, palmeirense que ama o futebol bem jogado e ofensivo, em seu desabafo após a derrota para o Fluminense, por 1 a 0: por desgosto, ele decidiu- apoiado por amigos- que, daqui para a frente, no lugar de futebol verá mais vezes o que atualmente o fez sofrer menos- as desventuras de Tufão, os olhos grandes de Gabriela. E, eventualmente, saber dos resultados do Paris Saint- Germain.
Mas como?- perguntarão os que não entendem esse desprazer. Perguntarão, por certo, se o Palmeiras não teve chances mais claras de gol do que o Fluminense, se o goleiro Diego Cavalieri não defendeu mais bolas do que o palmeirense Bruno, coisa e tal.
Sim, pode até ser. Mas foram lances esporádicos, com o segundo tempo Palmeiras jogando todo encolhido- num insulto aos tempos de Academia- com Patrik na função de auxiliar de lateral, sem ninguém a organizar as jogadas, à espera de um brilho de Barcos ou de um impossível contra-ataque. Para ter contra-ataque, é necessário contar com jogadores velozes ou com toque de bola envolvente- o que não se via em campo.
E o Fluminense nem precisou jogar lá essas coisas para ter maior posse de bola e marcar o seu gol, quase no fim da partida. Pareceu-me uma leitura clara do jogo, mesmo sabendo que muitos podem discordar. Tudo bem, faz parte.
Objetivamente, sem viver uma tarde de brilho, o Flu avançou na tabela e irá perseguir o Atlético Mineiro. Por sua vez, o Palmeiras talvez tenha se contentado com seu futebol limitado e ocupa, garbosamente, seu lugar na zona da degola.
Finalizando: qual é a vantagem de jogar encolhido e perder o jogo? Confesso que não vejo. E entendo a decisão do Tessitore, pois ninguém é obrigado a sofrer, machucado pelas lembranças de tempos que foram tão mais gloriosos.
Sempre ouvi dizer que o Palmeiras nasceu para ser grande. E ousado.
ROMARINHO, DE LETRA MAIS UMA VEZ.
Esse menino, creio, ainda vai dar muito o que falar. Depois de um incômodo jejum de gols, eis que Romarinho, 21 anos, marcou o gol da vitória do Corinthians sobre o Coritiba (2 a 1), aos 45 minutos do segundo tempo. E o fez de letra, como na vitória diante do Palmeiras, com a categoria e a frieza que só os muito bons de bola são possuidores.
Fico a imaginar como voltará a ser forte esse Corinthians quando outro talento, “Burrito” Martinez estiver em forma, atuando ao lado de Romarinho e de “ Émerson “ Sheik”, jogadores que dificilmente são marcados. E méritos também para o técnico Tite que, não conformado com derrota ou empate, soube mexer na equipe, mandando até Jorge Henrique para a lateral- esquerda.
Tite sabe das coisas, não é a tôa que vai disputar o Mundial. E aprendeu que, para ganhar, é preciso jogar no ataque.
Verdade que parece óbvia, mas que nem sempre é praticada.
A DERROTA DO SÃO PAULO. E MAIS DA RODADA...
Doeu na alma do torcedor do São Paulo essa história de perder para o Grêmio (2 a 1), de virada e aos 45 minutos do segundo tempo. Esse placar o afasta do chamado G-4 e leva o Grêmio a uma boa posição na tabela. Aliás, merecida: Luxemburgo toca a equipe com dois meias- Zé Roberto e Elano- dois atacantes- Kleber e Marcelo Moreno, tendo ainda reserva André Lima, o que fez o gol da vitória.
O Grêmio joga como time grande, sem firulas e sem mistérios, com jogadores que o técnico soube escolher. E bem. Por sua vez, o São Paulo conta os minutos em que poderá contar com Lucas e Luís Fabiano, seus principais atacantes.
Por falar em simplicidade e coragem, priorizando a qualidade, o Atlético Mineiro venceu o Vasco (1 a 0), mantém a liderança do Campeonato e parece ter digerido a discussão entre Ronaldinho Gaúcho e o presidente do clube, Alexandre Kalil. O Galo vem fazendo campanha impressionante.
Com a suada vitória diante da Ponte Preta (2 a 1), o Inter gaúcho fica, no entanto, próximo dos melhores colocados e dá a impressão de que o título será disputado por estes cinco já citados- Atlético Mineiro, Fluminense, Vasco, Grêmio e Inter.
Sei que há muito jogo pela frente. Mas, pelo andar da carruagem...
