E Neymar deu ao Palmeiras um triste presente de aniversário
Neymar, com dois gols e muita disposição, deu ao Santos a vitória contra o Palmeiras, por 2 a 1. Foi um presente de grego aos palmeirenses que terão de amargar neste domingo, quando o clube completa 98 anos de gloriosa existência, a zona de rebaixamento, ao final do primeiro turno do Campeonato Brasileiro: inevitavelmente será superado por Atlético Goianiense ou Bahia (que fazem um confronto direto) e ainda corre o risco de ficar atrás do Sport, caso este vença o clássico diante do Náutico.
Que situação!
Quanto ao jogo em si, diante de 22 mil pagantes no Pacaembu, o empate teria sido mais justo. A diferença é que Neymar, como sempre feliz quando joga pelo Santos, acertou uma cobrança de falta no ângulo do goleiro Bruno, no primeiro gol: e, no segundo, o da virada, chutou fraquinho, mas Bruno, lento e desajeitado, pulou mal em seu canto direito e engoliu um gol que um goleiro do Palmeiras não pode aceitar. E, enquanto isso, o melhor jogador palmeirense, Barcos, vivia noite não muito feliz, desperdiçando três chances claras de gol, chances que não costuma perder.
Ah, outra diferença: enquanto Rafael, goleiro santista, fez defesa espetacular em cabeçada de Barcos (que deveria ter cabeceado para o chão), Bruno, em lance já citado- o do segundo gol santista- não teve o comportamento do goleiro do Santos, deixando saudades da escola de goleiros que o Palmeiras já teve, culminando com Marcos, recentemente e em outros tempos quando teve nomes como Waldir Joaquim de Moraes, Leão e até mesmo Velloso ou Diego Cavalieri.
E como diz a neurolinguística, “a diferença faz a diferença”. No caso, foram as diferenças, pois pelo volume de jogo e chances criadas, o Palmeiras foi até melhor do que o Santos no primeiro tempo, saindo na frente com o belo gol de Correa. Depois, veio o gol de empate santista, três minutos após o gol de Correa- este, marcado aos 40 minutos.
O segundo tempo foi mais equilibrado, o Santos estava recomposto e o segundo gol de Neymar desequilibrou o Palmeiras, desesperado em escapar do rebaixamento, castigo que agora, muito mais do que uma suspeita, transforma-se em sério risco, logo agora que o clube está na Libertadores e espera pela conclusão da Arena.
Sorte do Santos que, com o time completo, dá sinais de vai lutar por algo melhor neste Campeonato.
E maus presságios para o Palmeiras, vítima de erros cometidos também em outros jogos, que se divide entre o céu e o inferno, entre Libertadores e a ameaça da Segundona, mesmo no domingo de seu aniversário.
Mesmo assim, pela gloriosa história e conquistas do passado, parabéns ao Palmeiras pelos 98 anos de vida. Que os ventos lhe sejam favoráveis para retomar o passado de glórias e se afastar destes tempos difíceis que nem o título da Copa do Brasil é capaz de amenizar
Precipitações e melindres exagerados no caso Ganso

Foto: Ricardo Saibun/Santos FC
Ah, já deu para ver que esse caso Ganso está longe de seu desfecho. Nas últimas horas, cenas de melindres e precipitações acrescentaram à novela- como em tramas e reviravoltas das que fazem sucesso na Globo- ingredientes que a fizeram esticar e sair de um final simples esperado, tipo: “Ganso fica no Santos” ou “Ganso vai para o São Paulo”.
1- As precipitações: uma delas foi a do técnico Nei Franco, provavelmente entusiasmado e que fugiu de sua habitual fala politicamente correta, ao dizer que já tinha feito “um campinho, mostrando como Ganso jogaria no São Paulo”. Isso irritou a cúpula santista, que viu na declaração um desrespeito ao clube.
Em minha opinião, nem foi desrespeito. Tratou-se mais de ingenuidade de quem não é negociante e já dava mais certa a contratação do meia-armador que o São Paulo necessita do que era na realidade.
Mas parece ter sido um tiro no pé. Assim como a divulgação, há alguns dias, da proposta oficial do tricolor pelo meia.
Por ser bem abaixo da multa de rescisão, também não caiu bem.
2- Os melindres: não vejo ofensa ao Santos quando Ganso diz que “seria um prazer defender a camisa do São Paulo”. Ele, nessa negociação vai- não-vai, iria falar o quê? Se tivesse declarado que jogar no São Paulo era melhor do que atuar pelo Santos ou usasse aquele chavão de “que sou tricolor desde criancinha”, ou coisas do gênero, aí poderia ter desdenhado da camisa que veste.
Mas não foi isso.
Mesmo assim, conheço uma torcedora do Santos, que passou a ser fanática pelo clube, que reagiu mal, “Então, que o Ganso vá embora de uma vez”. O mesmo sentimento que tomou conta de uma torcida uniformizada que prometeu protestar e vaiar o agora ex- ídolo.
Enfim, complicou-se o que deveria ser simplificado. E já não ouso palpitar sobre o desfecho desta sofrida- e já cansativa novela.
Polêmicas e farpas na Seleção Brasileira. E uma justiça na Argentina: Barcos.
Não se sabe ao certo até quando Mano Menezes será o técnico da Seleção Brasileira. Agora xingado por Romário, que do alto de sua imunidade parlamentar o chamou de “idiota” e “imbecil” (termos inadequados), depois de ter chamado o ex-goleador e atual político de “aproveitador”, Mano Menezes vai colecionando insatisfeitos com seu trabalho o que poderá leva-lo ao fim do ciclo após um insucesso qualquer.
O desgaste de Mano é visível e crescente.
Quanto à sua nova convocação, visando os amistosos contra a África do Sul e China (aliás, em minha opinião, quase sem nenhum sentido), não há muito a se reclamar. Particularmente, este blogueiro preferiria Diego Cavalieri, do Fluminense, ou Fábio do Cruzeiro, no lugar do grandalhão goleiro Cássio, do Corinthians. E, pela eficiência em fazer gols, concordo com Fred quando ele diz que “acho que o Mano não gosta do meu trabalho”, mas aí me lembro das constantes contusões do artilheiro do Fluminense a justificar as dúvidas sobre ele.
E também penso que Ganso não está a fazer por merecer uma convocação, ao contrário de seu companheiro de Santos, Arouca, que vem jogando o fino da bola e acabou sendo chamado para a Seleção. Com justiça.
Na verdade, até agora, os resultados obtidos por Mano Menezes estão longe de empolgar. Mas concordo que, além de seus erros em não definir uma equipe (reclamação de Pelé) ou de nem sempre escalar os melhores (por que Lucas não foi titular na Olimpíada) não temos nenhum Guardiola- de trabalho quase artesanal por aqui. Acho até que estamos bem atrasados por aqui, jogando um futebol europeu de antigamente enquanto na Europa se vê um jogo mais parecido com o do brasileiro de outros tempos.
O mar virou sertão, o sertão virou mar.
BARCOS, A ARGENTINA FEZ JUSTIÇA.
Depois de atuação discreta na Argentina, no começo da carreira, Hernán Barcos correu o mundo para exibir seu futebol: andou pela Sérvia, pela China, pelo Equador, até ser reconhecido, atuando pelo Palmeiras, aos 28 anos, como um dos melhores centroavantes em atividade. E autor de gols belíssimos.
Agora, seu talento foi premiado e, pela primeira vez em sua carreira, Barcos está entre os convocados da Seleção Argentina para jogos das Eliminatórias, tendo a chance de atuar ao lado de Messi, o melhor do mundo. Não é pouco: trata-se até de uma lição de vida, de perseverança, da confirmação da velha frase de que ”nunca é tarde”.
Só não sei se isso fará bem ao Palmeiras que, se por um lado terá seu jogador valorizado, por outro, em sua luta para ficar longe da zona da degola, estará desfalcado, simplesmente, de seu melhor jogador.
Em todo o caso é o preço que se paga por ter um goleador como Barcos. E, merecedor, que ele tenha boa sorte.
No sufoco, o Palmeiras avança e tem boas notícias. E a derrapada de Neymar.
Começo, então pelas boas notícias. Ou melhor: pelas supostas boas notícias. É que ao final do jogo, em que o Palmeiras perdeu por 3 a1 para o Botafogo, no Engenhão, mas avançou para a próxima fase da Copa Sul- Americana, o técnico Felipão revelou, com entusiasmo, a conversa que teve com dirigentes palmeirenses, quando lhe foram prometidos pelo menos quatro jogadores muito bons para a próxima temporada.
Se isso for confirmado e não passar de sonhos mais tarde desfeitos, já é pelo menos algo para amenizar os temores da torcida. Para esta temporada, em que o perigo de rebaixamento não é obra de ficção, segundo o técnico, talvez “um ou dois” para compor o grupo. Os nomes, ele não disse também, tanto quanto os dos mais capacitados para o ano que vem, embora se saiba que o meia Jailton (ídolo no Joinville e reserva no Avaí) pode chegar, assim como um lateral-direito.
Quanto ao jogo diante do Botafogo, depois de um primeiro tempo equilibrado, empatado por 1 a 1 (gols de Seedorf, depois de Lucas, impedido, dividir a bola com Bruno, e Patrik, após belo passe de Barcos), a etapa final foi um sufoco só: os botafoguenses marcaram o segundo gol (Renato), o terceiro (Lodeiro) e durante os quase 20 minutos restantes só não marcaram o quarto e eliminaram o Palmeiras por meros detalhes.
É verdade que Barcos teve duas boas chances- uma delas muito clara- para marcar, mas ou estava cansado ou em noite menos feliz. No resto, foi um sufoco!
Em virtude dos muitos desfalques, não cabe aqui criticar mais o time do Palmeiras que, bem ou mal, avançou na Sul- Americana (por ter vencido por 2 a 0, em Barueri, e ter feito um gol fora de casa), onde vai enfrentar o vencedor de Milionários, da Colômbia, ou Guarani, do Paraguai.
Mas se o futebol diante do Santos, no sábado, for parecido com o do segundo tempo contra o Botafogo, só os deuses sabem o que poderá acontecer.
A DERRAPADA DE NEYMAR
Pelos melhores momentos que vi do primeiro jogo da decisão da Recopa entre Santos e La “U” de Chile, em Santiago, Neymar foi hábil e incansável como sempre. Parece de ferro. E até “cavou” o pênalti (a falta foi cometida fora da área), aos 18 minutos do primeiro tempo, em lance produzido por seu incrível poder de drible.
Mas na hora da cobrança, ah, na hora de bater o pênalti, o que aconteceu? Neymar, simplesmente, escorregou, derrapou, chutando como se estivesse cobrando um tiro de meta, como um chamado “beque de fazenda”.
Atenuante: o gramado estava liso, escorregadio, em razão das fortes chuvas. E isso, com certeza atrapalhou Neymar e ajudou o placar a ficar no zero a zero. Mas que foi cena digna de uma vídeo cassetada do Faustão, isso foi.
No Mercado do futebol, a camisa 10 é a bola da vez.
Pelas últimas informações, o negócio está bem perto de ser fechado: Paulo Henrique Ganso, ex- intocável do Santos, pode mesmo vestir a camisa número 10 do São Paulo, pois o tricolor já teria acertado tudo com o jogador e com a detentora da maior parte de seus direitos, restando apenas o "sim" do clube santista, o que, tudo leva a crer, não demorará muito para acontecer.
Assim, seria o resgate de uma tradição gloriosa, pois o São Paulo, em suas grandes conquistas sempre teve um maestro em seu meio-campo. Tradição que vem desde o tempo em que nem se usava número na camisa- caso de Sastre- até depois do começo dos anos 50 quando o hábito de numerar o manto dos clubes foi instituído. E o tricolor foi colecionando maestros como Zizinho, Gérson, Pedro Rocha, o próprio Pita (também ex-santista) ou Raí- este, mesmo jogando mais adiantado, levava às costas o número sagrado e comandava, ao seu jeito, o time.
Com Ganso, caso tudo dê certo, o São Paulo terá de novo um maestro, pois futebol não falta a esse jogador técnico, de toque de bola refinado e que anda carente, percebe-se à distância, de maior motivação e também do entusiasmo que exibia nos tempos de glória quando, por exemplo, recusou-se a sair de campo em jogo decisivo. Mais do que rebeldia, o ato tinha conotação de vontade de vencer.
Ainda na esteira da camisa sagrada, Adriano será o "10" do Flamengo, fato já consumado. Não que ele seja um maestro, um meia (sempre foi centroavante, na linguagem do futebol, um camisa 9) ou até mesmo um exemplo de profissionalismo. Mas a torcida do Fla o idolatra, foi por ali que começou a carreira do Imperador e onde, mesmo não estando em suas melhores condições, ajudou o time a ser o campeão brasileiro de 2009.
E então, mais por amor (que espero seja correspondido) do que por função, será de Adriano a camisa que já pertenceu a Zico.
Outros clubes estão à procura de seus maestros. A questão é onde encontrá-los. Por enquanto, um pela proximidade de acerto, o outro pelo contrato já concretizado, Paulo Henrique Ganso, Adriano- e a camisa 10-são simbolos do mercado da bola menos agitado, é verdade, mas não adormecidos.
Um jogaço polêmico na Vila! E que San Gennaro zele pelo Palmeiras...
Foi um clássico como há tempos não se via: Santos e Corinthians jogaram pra frente, com técnica apreciável e que merecia bem mais do que os poucos mais de 12 mil pagantes presentes à Vila Belmiro.
Com Neymar inspirado, o Santos venceu por 3 a 2,mas convenhamos, contou com os equívocos da arbitragem o que transformou o espetáculo em disputa polêmica, com o Corinthians saindo prejudicado por um erro grotesco: o segundo gol santista contou com um triplo impedimento - de Bruno Rodrigo, Durval, e, finalmente, o do autor do gol, André. E um erro desse tipo desmonta qualquer equilíbrio.
Equilíbrio que esteve presente o tempo todo. Danilo abriu o placar, André empatou - neste, apesar da bronca corintiana, ele não estava impedido -, depois de brilhante jogada de Neymar, que jogava tudo o que não exibiu pela Seleção; depois, veio aquele gol irregular de André, seguido de belo gol de Martinez (ótima contratação do Corinthians) e, por fim, o gol de cabeça de Bruno Rodrigo para estabelecer o placar final.
O Santos festeja a vitória, o Corinthians chora a derrota e o erro grotesco a favor do adversário.
Quem viu o jogo também festeja ter presenciado um verdadeiro clássico. E com muitos gols.
AH, PALMEIRAS...
Se não acontecer nenhuma generosa obra de San Gennaro, o Palmeiras correrá sério risco de cair para a segundona. Pode ser que escape, pode ser que não. Depois da derrota deste domingo para o Atlético Goianiense - por 2 a 1 -, outra equipe que está na zona da degola, as dificuldades palmeirenses ficaram bem claras: só Barcos, artilheiro que fez o solitário gol e já marcou 21 na temporada, demonstra a regularidade necessária para um time que ainda se orgulha de ter sido o campeão da Copa do Brasil.
É verdade que não houve um pênalti não marcado contra o Atlético- Eron de braços abertos, desviou um chute com a mão direita- mas isso não justifica a pobreza franciscana do futebol exibido pelo Palmeiras que foram desde a ausência de toque de bola no meio-campo.
Valdívia parecia nem estar em campo até os erros primários de marcação nos gols do Atlético.
No primeiro deles, como o Palmeiras não tinha um lateral-direito definido, Eron entrou como quis, pela esquerda, para vencer Bruno com chute forte; no segundo, o da vitória, Patrick cabeceou para o meio da área, onde, sozinho, Rayllan, como se estivesse naqueles joguinhos de praia, estufasse as redes. Gol que time grande e bem treinado não pode levar.
Aí, virão as desculpas. Ah, foram muitos os desfalques, faltou um pouco de sorte, coisa e tal. E a tendência é de melhorar? Ninguém sabe ao certo como estará a semana de Valdivia, é bem provável e eu Marcos Assunção opere o joeho, Thiago Heleno saiu machucado, o departamento médico está lotado por outros contundidos. E as tentativas de contratações estão recheadas de insucessos, desde Guilherme (que preferiu o Corinthians) até Rafinha, que o Coritiba não quis negociar.
