Blog do Avallone

Na estreia de Kleina, Marcos Assunção dá ao Palmeiras um sopro de esperança.

HOME - Figueirense x Palmeiras - Campeonato Brasileiro - Marcos Assunção (Foto: Cristiano Andujar)

                                                                         Foto: Cristiano Andujar

Foi uma performance fantástica a de Marcos Assunção: dois cruzamentos para os gols de Thiago Heleno e Henrique, mais o terceiro- como se fosse um atacante, aproveitando o rebote do goleiro-- e ainda um outro gol, de falta, anulado porque Valdivia, adiantado, inexplicavelmente, ficou pulando na frente do goleiro.

Era preciso mais? Uma atuação memorável desse jogador já veterano, 36 anos, fundamental para que no ano passado o Palmeiras se livrasse dos perigos do rebaixamento e também para que, neste ano, festejasse a conquista da Copa do Brasil. Pois neste sábado à noite, em Florianópolis, Assunção não apenas jogou demais como também foi uma espécie de técnico dentro do campo, nessa vitória diante do Figueirense, por 3 a 1. Ao final da partida, como líder da equipe, foi sincero: “Enquanto houver um pingo de esperança, não vou desanimar. Quero ser um exemplo para meus companheiros também não perderem o ânimo.”.

Quanto ao que houve de diferente nessa estreia de Gílson Kleina como técnico do Palmeiras, o próprio Assunção acha que o que mudou foi a atitude dos jogadores, com mais “pegada”: eu diria que também o time jogou um futebol mais solto, mais ousado, apesar dos necessários cuidados defensivos. Claro que ao marcar dois gols nos primeiros dez minutos e com o goleiro Wilson, do Figueirense, em noite infeliz, as coisas ficaram mais fáceis.

E teriam ficado ainda mais fáceis se Valdivia mostrasse metade do futebol de outros tempos (tomou cartão amarelo aos 4 minutos e atrapalhou o gol de falta de Marcos Assunção, com a sua atitude de pular em frente ao goleiro) e Barcos estivesse em plena forma, mais ou menos aquela que exibia, curiosamente, antes de ser convocado para a Seleção Argentina.

Creio que no caso de Valdivia, é uma questão de conversa. Quanto a Barcos, ótimo centroavante, pode ser apenas uma fase.

Por falar em fase e em centroavante, muito bom esse Aloísio, que se machucou ao marcar o gol do Figueirense, quando a sua equipe perdia por 2 a 0, dando a impressão que a vitória palmeirense estava ameaçada até Marcos Assunção, colocado na área inimiga como um centroavante, aproveitando-se de mais uma falha do goleiro Wilson, marcar o terceiro gol que selou o triunfo.

E o futuro? A situação do Palmeiras continua muito delicada- a do Figueirense ainda mais- só que essa vitória fora de casa, pode ser o sopro de esperança para a missão de tentar fugir do rebaixamento.

Missão extremamente difícil, já se sabe. Mas não impossível.

Ganso, enfim o Maestro do São Paulo. E São Marcos, boa lembrança de Kleina.

Rubens Chiri / saopaulofc.net

                                                     Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Com Paulo Henrique Ganso, o São Paulo vai reviver uma figura tradicional em seus melhores times: a do Maestro, o meia-armador capaz de um lançamento incomum, de um golaço, da capacidade de acionar os atacantes, de deixar um companheiro cara a cara com o goleiro- essas coisas, antes comuns e atualmente raras em nossos campos, típicas de uma espécie em extinção.

Basta que, como se espera, Ganso esteja física e clinicamente bem.

Por tradição, o São Paulo sempre cultivou o gosto por esse tipo de jogador. Embora dono de estilo diferente, mais de explosão do que de técnica requintada como a de Ganso, Raí desempenhou esse papel no começo dos anos 90, por coincidência quando o tricolor ganhou a sua primeira Libertadores e o seu primeiro Mundial de Clubes.

Antes, sem levar em conta a ordem cronológica, o São Paulo teve Gérson, Pedro Rocha, Zizinho, o próprio Pita- que também veio do Santos e formou ao lado de Muller, Silas, Careca e Sidney um ataque inesquecível- e lá atrás, é o que conta a História, um argentino de nome Antonio Sastre, o condutor de uma linha de frente apelidada de “A Máquina de Costura”, habituada a triturar os adversários.

Dinheiro e confusões à parte na transação, o que mais importa agora para o torcedor tricolor é imaginar como se sairão Lucas (até o fim do ano) e Luís Fabiano, municiados por este meia que visa, ele próprio, resgatar o seu futebol.

Que já estava perdendo a magia.

A  AJUDA  DE  SÃO  MARCOS

Foi oportuna a atitude de Gilson Kleina, novo técnico do Palmeiras, ao abrir as portas do futebol para Marcos. Segundo o treinador, o goleiro aposentado, mas dono de incrível carisma, pode fazer o que bem entender desde “sentar no banco até a comparecer à reuniões que se costuma fazer”.

Nesse momento delicado, de evitar a humilhação da Segundona (e ao mesmo tempo em que voltará a disputar a Libertadores), o emocional e o resgate da autoconfiança são armas decisivas para batalha de final desconhecido. Não sei se Marcos tem perfil ou gosto para nuances táticas ou se é afeito a dirimir coisinhas ou melindres de jogadores. Mas como ama o Palmeiras, tem porte e currículo de campeão, querendo, pode. E pode muito.

Quanto à parte tática, Kleina tem a fama de não ser um inventor. Podendo, gosta de atuar com dois volantes, dois meias, dois atacantes, em esquema tradicional e não defensivo. Para isso, é preciso que todos estejam em forma e com a cabeça no lugar, emocionalmente equilibrados.

É o lado emocional o que mais preocupa quem vive nessa sinuca de bico.

Seleção: vitória e vaias. E Kleina, o fim de uma novela no Palmeiras.

 Neymar corre para celebrar seu gol, de pênalti, que deu a vitória ao Brasil contra a Argentina

                                                                          Foto:Mowapress          

De Superclássico, esse confronto entre Brasil e Argentina teve muito pouco. Foi um jogo sem brilho. E as vaias da torcida, acompanhadas de gritos como “Adeus Mano” e “Volta Felipão” refletem a insatisfação com o desempenho da Seleção Brasileira mesmo com a vitória (2 a 1), obtida nos acréscimos com gol de Neymar, de pênalti.

Na verdade, o jogo inteiro foi morno e sem emoções. A Argentina, sem suas maiores estrelas (especialmente Messi), jogou encolhida, à espera de um erro dos brasileiros, enquanto a Seleção de Mano apenas ensaiava um trio atacante arrasador, formado por Lucas, Luís Fabiano e Neymar. Só ensaiava.

Sem um meia-armador eficiente, de pouco adiantava um trio atacante supostamente demolidor. E foi graças a um gol irregular, com Paulinho impedido quando Neymar levantou a bola em cobrança de falta, que o Brasil chegou ao empate depois de sofrer o gol de Martinez, em lace que o atacante do Corinthians mostrou oportunismo.

Ainda não havia vaias.

Elas surgiram no segundo tempo, principalmente quando Mano Menezes começou a fazer substituições. Ao trocar Jadson por Thiago Neves, ainda tudo bem. Mas quando saiu Luís Fabiano para a entrada de Leandro Damião e ainda muito mais quando trocou Lucas por Wellington Nem, ah, aí o que nem era tão doce se acabou.

Houve uma trégua aos 48 minutos do segundo tempo, quando Neymar converteu em gol o pênalti sofrido por Leandro Damião em desastrada ação de Desábato. 2 a 1.

Mas o suspense continua: até quando Mano Menezes vai suportar tanta pressão?

O  PALMEIRAS  DE  GILSON  KLEINA

                                                                             Foto:Gil Leonardi

Um dos mais cotados para assumir o cargo desde a saída de Felipão, Gílson Kleina enfim acertou com o Palmeiras. Já estava quase virando uma novela. Outros nomes foram falados, tentados, mas quem assumiu mesmo foi esse treinador de 44 anos, autor de bom trabalho na Ponte Preta e que vai encarar agora o imenso desafio de livrar o time da Segundona.

Sem tempo a perder, ele e seus auxiliares (o preparador físico, Anselmo Sbragia, e o treinador de goleiros, Carlos Pracidelli, também deixaram o Palmeiras), já estão em Itu, foram apresentados aos jogadores e iniciaram o ritual para encarar essa situação dramática a partir do jogo deste sábado, diante do Figueirense, em Florianópolis.

A sorte está lançada.

O Superclássico (?) das Américas. E talvez o fim de duas novelas do futebol.

Houve tempo em que um jogo do Brasil contra a Argentina era de arrepiar. Hoje, menos empolgante, é chamado de Superclássico das Américas e deverá lotar o Serra Dourada, em Goiânia, é verdade, mas não arrancará suspiros do mundo por esse confronto.

Até porque não estarão presentes os jogadores que atuam na Europa- quem é a equipe argentina sem Messi?-, embora isso até dê oportunidade para quem está por aqui, na América. Será divertido ver o Brasil jogar com três do São Paulo do meio para a frente (Lucas, Luís Fabiano e Jadson), ao lado de Neymar; será interessante acompanhar jogadores que atuam no Brasil como Montillo (Cruzeiro), Martine (Corinthians) ou Barcos (Palmeiras) em ação pela Argentina.

Ao invés da emoção que poderia sugerir o título pomposo arrumado para os jogos (serão dois, um no Brasil e outro na Argentina), de Superclássico das Américas, fico com o mais simples e mais realista: um jogo interessante.

Nada de muito especial.

GANSO  E  TÉCNICO DO  PALMEIRAS: FIM  DAS  NOVELAS?

Depois de praticamente acertado o negócio, eis que um novo entrave teria surgido na história Ganso/São Paulo/Santos, com o clube santista pretendendo atrelar a venda de seu meia ao perdão do investidor a uma dívida de 4 milhões de reais ainda pela negociação de Wesley ao Werder Bremen. Algo assim.

Acredito, no entanto, que o último capítulo desta novela irá ao ar nas próximas horas, mais precisamente no dia 21, estará encerrado o prazo para novas inscrições de jogadores. Ou o Santos fará a Ganso uma sensacional proposta de renovação, causando reviravolta no negócio?

Nada é impossível. Mas acredito que Ganso será mesmo do São Paulo.

Outra novela enrolada é essa do novo técnico do Palmeiras. Depois de Falcão pedir salário considerado muito alto pela direção do Palmeiras, de Jorginho ter preferido cumprir seu contrato no Bahia, do argentino Jorge Sampaoli pretender deixar tudo para o começo da próxima temporada e outros vários contratempos, o que resta fazer? Tenho a impressão de que o que está pegando mesmo é a intenção de se fazer um contrato até o fim do ano, coisa de risco grande porque a possibilidade de rebaixamento é muito grande.

E um informante me garantiu na noite desta segunda-feira que o técnico acabará sendo Gilson Kleina, da Ponte Preta, aliás, um nome cotado desde o início.

Por cautela, no entanto, meu informante e este blogueiro preferem aguardar. Novela mais do que enrolada essa.

Últimos dias do Mercado da Bola

Estou falando em termos nacionais, pois a janela internacional já fechou faz tempo: por aqui, um jogador pode ser inscrito até o próximo dia 21, o que sugere que, ainda, surgirão algumas novidades, poucas, no Campeonato Brasileiro:

1- A novela Ganso: já era para estar encerrada. É pequeno o tempo para ser exibido o último capítulo. Agora, segundo se comenta, o Santos recusou a terceira e mais recente proposta do São Paulo por querer receber à vista e não em parcelas, com a assessoria do jogador afirmando que jamais Ganso declarou que não jogaria pelo Grêmio.  E nos bastidores, vem a informação de que o Grêmio quer o jogador, sim, mas que ainda estaria reunindo investidores para bancar a sua contratação.

Ah, não. Tudo de novo?

Não creio. Embora respeite o poderio financeiro do Grêmio, que investiu alto para realizar com êxito o Campeonato Brasileiro que está fazendo, o São Paulo conta com o dinheiro da milionária venda de Lucas (que está jogando muito!) e deve levar a melhor nesse duelo por Paulo Henrique Ganso.

Vai acabar logo, eu sei, mas esta novela já está ficando cansativa.

2- O Flamengo também tem mais três dias para concretizar seu sonho mais recente- e sem o impacto de um Ganso: deverá ter Cleber Santana, atualmente no Avaí, meia que dizem estar em grande forma mas que não foi o que esperava em sua passagem pelo São Paulo.

Se jogar, digamos, como o fazia pelo Santos, será reforço considerável.

3- E ainda no Mercado da Bola, outro assunto que não tem exatamente prazo para terminar: o novo técnico do Palmeiras. Depois da recusa de Jorginho, nesta segunda-feira recebi a confirmação que Gilson Kleina seria tentado novamente. Só que, depois de o presidente da Ponte afirmar que não libera o seu treinador, abre-se espaço maior para Paulo Roberto Falcão, ex- extraordinário jogador e que é ídolo em Roma até hoje.

Quem será? Creio que o suspense terminará logo.

Ah, quanto a Jorge Sampaoli, da Universidad do Chile, seu nome é cogitado, sim. Mas não daria para agora- e o Palmeiras, em desesperada tentativa de fugir da Segundona, precisa de um técnico para já.

Ou melhor: para ontem.

O que vai acontecer depois da vitória do Corinthians sobre o Palmeiras. E o louco Campeonato.

Bem, antes do jogo em si, falemos do que deve acontecer depois da vitória do Corinthians sobre o desesperado Palmeiras. Aliás, partindo do que já aconteceu: mergulhado em crise profunda, seguramente a pior dos últimos tempos, o Palmeiras teve de conviver já no domingo à noite com a violência de alguns de seus torcedores, que tentaram invadir o camarote onde estavam o presidente e o vice de futebol, no Pacaembu; contidos, não se sabe se parte desse grupo ou outro, invadiu o restaurante do vice, Frizzo, na Rua Oscar Freire, e depredou o local.

Felizmente, não houve feridos.

Daí tiveram início os boatos que outros pontos de revolta tinham surgido, embora sem confirmação até o momento em que escrevo. Sou contra a violência, acredito que as coisas devam ser resolvidas com argumentos e competência, limitando-me, aqui, a relatar fatos.

E ainda na esteira do que vai acontecer com o clube, à beira do abismo que se chama Segundona, passo adiante duas informações sobre o possível novo técnico do Palmeiras:

1- Segundo um conselheiro importante, o escolhido será Gilson Kleina, da Ponte Preta. Pelo menos foi o que ele ouviu de um amigo, também conselheiro, ligado à cúpula do clube.

2- Segundo um outro informante, também ligado à cúpula, o nome a ser tentado-já se sabe até quanto ele ganharia, ao lado de seus auxiliares- continua sendo a de Jorge Sampaoli. O argentino que dirige La Unversidad de Chile.

Quanto ao jogo em si, o bem armado Corinthians, seguro de seu futebol e jogando como um franco-atirador, nem precisou jogar muito para vencer seu arquirrival Palmeiras, por 2 a 0. Bastou aproveitar-se de duas gritantes falhas individuais para estabelecer o placar. A primeira, foi a frustrada tentativa de Juninho em driblar dentro da área, sendo desarmado por Romarinho que chutou bem, no canto direito de Bruno, com a bola batendo na trave antes de ir para as redes; na segunda, João Vítor perdeu lance fácil na intermediária, a bola chegou até Douglas que a colocou na cabeça de Paulinho para estabelecer 2 a 0.

Já a esta altura, a missão corintiana facilitada por ter um jogador a mais desde a metade do primeiro tempo, com a expulsão de Luan. Em minha opinião, embora estivesse nervoso em campo, acredito que o cartão vermelho foi exagerado, rigoroso demais- e o único erro da arbitragem.

Resumo da ópera: o Corinthians foi competente, embora não brilhante; o Palmeiras foi uma equipe nervosa e, ainda por cima, sem sorte, pois a cabeçada de Henrique que bateu na trave seria gol certo em outras oportunidades.

Vitória justa para um. E crise profunda para o outro. Retrato do velho Derby.

O  LOUCO  CAMPEONATO

Quem apostaria na derrota do Fluminense para o Atlético Goianiense, no Rio? Pois aconteceu. Assim com o Atlético Mineiro perdeu para o Náutico, o Grêmio permitiu o empate do Flamengo- depois de estar vencendo- e o Vasco também não venceu (aqui, resultado mais normal, pois enfrentava o Cruzeiro), completando o quadro: nenhum dos quatro melhores do Campeonato Brasileiro venceu.

Isso, sem contar com o sufoco que viveu o Inter para escapar da derrota, em Porto Alegre, pois estava perdendo para o Sport, por 2 a 0. No final, conseguiu o empate.

E para finalizar, sendo que aqui nada tem de louco, a virada de Neymar sobre Coritiba, por 2 a 1, dois gols dele, é claro, sendo que o primeiro foi de alta classe, driblando até o goleiro. Ah, que seria do Santos se não fosse Neymar...